Braiscompany: o que se sabe sobre prisão de casal dono da empresa na Argentina


Antônio Neto Ais e Fabrícia Farias foram presos na quinta-feira (29), na Argentina. Próximo passo do caso é a extradição do casal. Golpe de criptoativos movimentou mais de R$ 1 bilhão e teve como vítimas mais de 20 mil pessoas. Momento em que Antônio Neto Ais é preso pela Interpol, na Argentina Ministério da Segurança da Argentina Antônio Inácio da Silva Neto, mais conhecido como Antônio Ais, e a esposa, Fabrícia Farias, sócios da empresa de criptoativos Braiscompany, foram presos na quinta-feira (29), na cidade de Escobar, na Argentina. O casal estava foragido desde fevereiro de 2023, e já foi condenado por crimes contra o sistema financeiro. Os dois devem ser extraditados para o Brasil, para o cumprimento das penas, que, somadas, chegam a 150 anos de reclusão. De acordo com a Polícia Federal, que é responsável pela investigação do caso, o casal desviou cerca de R$ 1,11 bilhão e fez mais de 20 mil clientes como vítimas na captação de investimentos para a Braiscompany. A empresa, idealizada pelo casal, era especializada em gestão de ativos digitais e soluções em tecnologia blockchain. Os investidores convertiam seu dinheiro em ativos digitais, que eram “alugados” para a companhia e ficavam sob a gestão dela pelo período de um ano. Os rendimentos dos clientes representavam o pagamento pela locação dessas criptomoedas. A Braiscompany prometia um retorno financeiro ao redor de 8% ao mês, uma taxa considerada irreal pelos padrões usuais do mercado. Milhares de moradores de Campina Grande investiram suas economias pessoais na empresa, motivados pelo boca a boca entre parentes, amigos e conhecidos. Veja abaixo o que sabe sobre a prisão do casal Braiscompany e quais os próximos passos. Condomínio de luxo e documentos falsos Momento em que Fabrícia Ais, sócia da Braiscompany, é presa na Argentina Ministério da Segurança na Argentina Os donos da Braiscompany estavam foragidos na Argentina desde que escaparam do Brasil ainda em 2023. De acordo com o delegado Guilherme Torres, Antônio e Fabrícia fugiram pela fronteira terrestre, diretamente para a Argentina. Para isso, usaram uma identidade falsa, a partir de documentos de parentes, que consentiram o uso da documentação pelo casal. LEIA TAMBÉM Entenda investigações contra Braiscompany Veja pena dos 11 réus condenados no "caso Braiscompany" No país vizinho, o casal estava vivendo em uma casa localizada em um condomínio de luxo. Antônio Ais e Fabrícia faziam uso, inclusive, de uma academia de ginástica. Além disso, de acordo com informações da Polícia Federal reveladas em uma entrevista coletiva na sexta-feira (1º), o casal estava usando criptomoedas para se manter na Argentina durante o ano que estiveram foragidos. Outros detalhes sobre a vida dos condenados pela Justiça no país vizinho não foram divulgados pela PF. Prisão pela Interpol Veja vídeo do momento da prisão de casal dono da Braiscompany Na quinta-feira, o casal foi preso a partir de uma colaboração entre a Polícia Federal e representantes da Interpol na Argentina. A prisão foi gravada. O vídeo do momento exato em que os condenados são presos foi divulgado pela ministra da Segurança da Argentina, Patricia Bullrich, nas redes sociais. Na postagem, a ministra escreveu que a “Argentina não é mais refúgio de delinquentes”, se referindo ao casal que estava foragido há 1 ano no país que faz fronteira ao Brasil. Sobre as investigações que culminaram na prisão em solo estrangeiro, o Ministério Público Federal informou que a investigação conjunta entre o MPF e a Polícia Federal continua em andamento, "especialmente com a análise do imenso volume de material apreendido e de informações obtidas a partir de decisões judiciais autorizativas do afastamento do sigilo dos dados bancários, financeiros e telemáticos de dezenas de investigados, os quais poderão resultar na propositura de novas denúncias". Próximos passos do caso O próximo passo do caso é a extradição do casal para o Brasil. De acordo com a Polícia Federal, esse processo já foi iniciado pela Justiça Federal, mas não existe um prazo determinado para a finalização. " A gente não pode estabelecer um prazo, pois depende de legislação argentina .a gente pode citar que em um caso semelhante que aconteceu no mesmo processo, também na Argentina, demorou cerca de três meses", disse o delegado Guilherme Torres. "Processada essa extradição eles serão trazidos ao Brasil para que respondam", pontuou. Antônio segue preso na Argentina, mas Fabrícia conseguiu o direito de aguardar a extradição em liberdade. A Justiça argentina estabeleceu pagamento de fiança e algumas medidas cautelares, e levou em consideração o fato de ela ter apresentado uma atitude colaborativa e também a questão de ela ser mãe de dois filhos menores de idade, que não têm outros parentes que possam se responsabilizar por eles. A decisão da Justiça da Argentina atendeu uma petição apresentada pela defesa do casal. Os advogados também afirmam que vão tentar fazer que Antônio Neto também aguarde a extradição em liberdade. Vítimas famosas Caso Braiscompany: Popó diz que prisão de Antônio Ais é 'melhor presente de 2024' Reprodução/Instagram Também conforme a Polícia Federal, dentre as 20 mil vítimas que tinham investimentos na Braiscompany, nomes conhecidos como o ex-lutador Acelino Popó Freitas e o ator Lucas Veloso caíram no esquema de pirâmide elaborado pela empresa. O lutador chegou a comemorar nas redes sociais dizendo que a prisão do empresário foi "o melhor presente de 2024". No caso de Popó, ele teve uma perda financeira de R$ 1,2 milhão. “A forma que o cara olhava, as lives que ele fazia todo dia, o poder de convencimento que esse cara tinha, que a coisa era real”, conta Acelino Popó, campeão mundial de boxe. Em relação a Lucas Veloso, O artista disse que sofreu um prejuízo por não ter o retorno financeiro prometido pela empresa. O valor seria investido em forma de patrocínio para o filme de Lucas. As investigações dão conta de que o casal desviou cerca de R$ 1,11 bilhão de todas as vítimas. Esse valor foi repassado à empresa e aos sócios e colaboradores por meio de transferências de criptoativos, entrega de valores em espécie, transferências bancárias para contas pessoais, transferência da propriedade de bens móveis e imóveis e cessões de direito de crédito. Segundo a sentença que condenou o casal e mais nove pessoas, estima-se que, até o momento, 16% do R$ 1,1 bilhão movimentado pelo esquema (R$ 176 milhões) foram desviados diretamente em favor do casal. Relembre o caso Braiscompany Antônio Ais Neto em uma das sedes da empresa Divulgação/Braiscompany A Braiscompany foi alvo de uma operação da Polícia Federal no dia 16 de fevereiro de 2023, que teve como objetivo combater crimes contra o sistema financeiro e o mercado de capitais. As ações da PF aconteceram na sede da empresa do 'casal Braiscompany' e em um condomínio fechado, em Campina Grande, e em João Pessoa e em São Paulo. A operação foi nomeada de Halving. A empresa, idealizada pelo casal Antônio Ais e Fabrícia Ais, era especializada em gestão de ativos digitais e soluções em tecnologia blockchain. Os investidores convertiam seu dinheiro em ativos digitais, que eram “alugados” para a companhia e ficavam sob a gestão dela pelo período de um ano. Os rendimentos dos clientes representavam o pagamento pela locação dessas criptomoedas. Além da taxa de retorno financeiro muito acima do regularmente praticado no mercado, boa parte da atração exercida pela Braiscompany está ligada à imagem de seu fundador, Antônio Inácio da Silva Neto. Ele adotou suas três primeiras iniciais como sobrenome e se apresenta como Antônio Neto Ais. O empresário mantinha um Instagram com fotos bem produzidas, registros ao lado de celebridades e vídeos motivacionais. Quando o golpe estourou, sua rede social registrava 900 mil seguidores, que consumiam conteúdo sobre uma vida de luxo e sucesso individual. No dia 13 de fevereiro de 2024, o juiz da 4ª Vara Federal em Campina Grande, Vinícius Costa Vidor, publicou sentenças do processo que apura o esquema de fraudes na Braiscompany. Foram condenados o 'casal Braiscompany', Antônio Inácio da Silva Neto (88 anos e 7 meses) e Fabrícia Farias (61 anos e 11 meses), além de outros 9 réus e um montante a ser reparado de R$ 277 milhões em danos patrimoniais e R$ 100 milhões em dano coletivo. Confira os nomes e penas: Antônio Inácio da Silva Neto – 88 anos e 7 meses Fabrícia Farias – 61 anos e 11 meses Mizael Moreira da Silva – 19 anos e 6 meses Sabrina Mikaelle Lacerda Lima – 26 anos Arthur Barbosa da Silva – 5 anos e 11 meses Flávia Farias Campos – 10 anos e 6 meses Fernanda Farias Campos – 8 anos e 9 meses Clélio Fernando Cabral do Ó – 19 anos Gesana Rayane Silva – 14 anos e 6 meses Deyverson Rocha Serafim – 5 anos Felipe Guilherme de Souza - 18 anos Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

Dino

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