Trump tenta mudança de regime no Brasil, mas irá falhar, diz filho de George Soros

Donald Trump representa hoje uma ameaça ativa à soberania de países em todo o mundo, incluindo o Brasil, mas suas tentativas de desestabilizar governos têm, até agora, produzido o efeito oposto. O diagnóstico é de Alex Soros, presidente do conselho da Open Society Foundations e filho do bilionário George Soros.

“Ele [Trump] está tornando Lula mais popular”, afirmou Soros em entrevista publicada nesta segunda-feira (25) pela Folha de S.Paulo, realizada durante visita ao Brasil, onde se reuniu com ministros como Fernando Haddad, Marina Silva e Anielle Franco.

Na conversa, ele cita a ofensiva dos EUA contra o governo Lula, incluindo tarifas, sanções e pressões sobre decisões do Supremo Tribunal Federal, especialmente em temas relacionados à regulação das big techs. Soros diz que essas ações configuram uma tentativa clara de “mudança de regime”, com Eduardo Bolsonaro “ditando aspectos da política dos EUA para o Brasil.”

Para ele, “o comportamento de Trump é uma ameaça à soberania em todo o mundo”, mas “em todos os lugares em que tentou interferir ou emplacar um ‘proxy’, ele fracassou”. Ele defende que o caso brasileiro segue o mesmo padrão, e acaba beneficiando o presidente Lula. “As pessoas querem votar contra Trump”, falou.

Diálogo impossível com Trump

Para Soros, não há espaço para diálogo com Trump. “Não há nada que se possa negociar com Trump. Alguém já fez um acordo ou fez negócios com Trump e acabou se saindo bem? Fora Putin e Xi Jinping?”

Soros articula uma crítica mais ampla ao que chama de “modelo de interferência” promovido por Trump, que já teria falhado em outros países. “Com Mark Carney [no Canadá], os australianos, na Romênia, Trump perdeu em todos os lugares em que tentou influenciar eleições, com exceção da Polônia.”

Um dos campos mais visíveis dessa ofensiva, segundo Soros, é o da tecnologia. Ele acusa Trump de pressionar aliados para proteger os interesses das big techs americanas. “No Canadá, Trump ameaçou romper acordo comercial se o governo não suspendesse o imposto digital; no Brasil, os EUA fazem pressão contra a decisão do Supremo que muda o regime de responsabilidade das big techs.”

“Isso é interferência externa. E o pior é que são monopólios”, afirmou, defendendo um novo ciclo de regulação global inspirado nas políticas antitruste do início do século 20. “Vamos precisar de um momento rooseveltiano de antitruste para que o sistema se mantenha justo.”

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Paulo Barros

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