No México, Alckmin defende integração: “Não queremos brigar com ninguém”


CIDADE DO MÉXICO – Em missão oficial à Cidade do México, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, firmou nesta quarta-feira (27) uma série de acordos comerciais com o governo mexicano.
A iniciativa tem como foco a ampliação das exportações brasileiras, o estímulo a investimentos cruzados e o fortalecimento das relações entre as duas maiores economias da América Latina.
Durante o encontro, Alckmin afirmou que o Brasil não busca confrontos, mas sim cooperação. “Não queremos briga com ninguém. Queremos fortalecer os laços com o México e trabalharmos juntos”, declarou.
A comitiva brasileira contou ainda com os ministros Carlos Fávaro (Agricultura), Simone Tebet (Planejamento), além da ApexBrasil, CNI, empresários e representantes de diversos setores.
O evento marcou o primeiro dia de uma missão que seguirá para o Canadá nos próximos dias e acontece em um contexto de crescente tensão comercial, especialmente após a imposição de tarifas de 50% por parte dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A busca por novos mercados tornou-se, segundo o governo, uma prioridade estratégica.
Os acordos assinados nesta quarta-feira abrem caminho para maior presença de produtos brasileiros no mercado mexicano, com destaque para carne bovina e de frango, milho, soja, café, frutas e etanol. Também há expectativa de avanço em áreas como automotivo, máquinas agrícolas, bioenergia, serviços financeiros e tecnologia.
Alckmin ressaltou que o comércio é de “mão dupla” e defendeu uma lógica de “ganha-ganha”, com empresas brasileiras comprando e vendendo em condições de competitividade.
A perspectiva de uso do México como plataforma de exportação para os Estados Unidos e outros países da América do Norte também ganha tração entre empresas brasileiras.
De acordo com Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, “o México é estratégico não apenas por sua demanda interna, mas por sua posição geopolítica. Usar o país como hub logístico é uma oportunidade diante do tarifaço americano”.
A agência mapeou, ao todo, 72 países alternativos para os 108 setores brasileiros afetados pelas tarifas unilaterais, sendo o México um dos principais destinos com potencial de crescimento.
Atualmente, o México é o sétimo maior destino das exportações brasileiras, com destaque para automóveis, carnes e caminhões. Em 2024, o fluxo comercial entre os dois países somou US$ 13,6 bilhões, sendo US$ 7,8 bilhões em exportações do Brasil e US$ 5,8 bilhões em importações de produtos mexicanos.
Alckmin celebrou o avanço: “Estamos chegando a US$ 14 bilhões em comércio. É um sinal de que podemos ir muito além”.
A agenda no México também abre espaço para cooperação ambiental e científica. O vice-presidente aproveitou o encontro para convidar as autoridades mexicanas à COP30, que será realizada em Belém (PA), em novembro. Ele destacou a importância de parcerias na área de biocombustíveis e tecnologias de descarbonização, especialmente diante do interesse mexicano em transição energética.
Na quinta-feira (28), Alckmin receberá as Chaves da Cidade do México em cerimônia com a chefe de governo Clara Brugada Molina e terá um encontro bilateral com a presidente Claudia Sheinbaum.
Na pauta, segurança alimentar, investimentos estratégicos e intensificação do comércio bilateral. A programação inclui também reuniões com empresários mexicanos e participação no evento da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), que discutirá padrões sanitários internacionais e o papel do Brasil como fornecedor confiável de alimentos.
A missão brasileira segue em tom pragmático, com forte ênfase no multilateralismo. “O presidente Lula estava certo ao pedir que buscássemos novos mercados. O Brasil precisa de mais comércio, mais diálogo e mais protagonismo”, afirmou o ministro Carlos Fávaro.
“É hora de ampliar o comércio, diversificar parcerias e criar pontes em vez de barreiras”, finalizou Alckmin.
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