Como o grupo SBF, dono da Centauro e distribuidor da Nike no Brasil, quer virar um verdadeiro ecossistema do esporte

SÃO PAULO – Vencedor do prêmio de revelação da Bolsa em 2021 no ranking InfoMoney, o grupo SBF (SBFG3) –  controlador da Centauro, da NWB e operador da Nike do Brasil –  trabalha para ser cada vez mais multicanal e criar um verdadeiro ecossistema do esporte buscando atender as necessidades do consumidor, que também vem se transformando.

Nesse sentido, para Pedro Zemel, CEO do SBF, a companhia está apenas no começo de uma jornada, em um contexto de forte engajamento da população brasileira no segmento esportivo, seja ou assistindo ou praticando.

“Temos uma convicção de que o esporte tem um poder transformacional e isso dá uma energia muito boa para a empresa e para a nossa capacidade de atrair gente. O que queremos fazer é usar essa forma de engajamento e essa transformação para construirmos uma empresa que de fato se posicione como um ecossistema do esporte”, afirmou o CEO, durante o evento Melhores da Bolsa 2021, promovido pelo InfoMoney e pelo Stock Pickers (assista no player acima).

Zemel destaca que a empresa está no mercado há 40 anos e abriu o capital com uma base muito sólida e estabelecida como varejista, tendo presença em 26 estados e com 200 lojas. Porém, a avaliação é de que essa é apenas uma “parte da história” a ser contada pelo grupo. A companhia, fundada em 1981, fez seu IPO em 2019, captando cerca de R$ 772 milhões.

O momento pós-IPO, aliás, foi de diversas transformações para o grupo, sendo marcado por importantes aquisições. O SBF concluiu no ano passado a compra da operação comercial da Nike do Brasil por R$ 1,032 bilhão. Com o fechamento do negócio o grupo praticamente dobrou de tamanho: de uma receita de um pouco mais de R$ 3 bilhões, foi para cerca de R$ 6 bilhões. Em dezembro, ainda anunciou a compra da produtora de conteúdo NWB, detentora dos canais do YouTube Desimpedidos, Acelerados, Fatality e Falcão 12. O negócio, no valor de R$ 60 milhões, marcou a entrada do grupo no segmento de conteúdo.

“Fomos agregando outros pedaços a esse ecossistema e nos transformando nessa jornada, e evoluindo de uma empresa de varejo para uma empresa que tem uma operação de varejo, que tem a Fisia que distribui a marca Nike, a NWB que produz conteúdo e que chega a dezenas de milhões de espectadores do esporte. O esforço é por buscar aumentar a velocidade de transformação interna”, apontou.

O último ano, porém, foi desafiador não apenas para o grupo, como também para todo o setor varejista, que foi impactado pelo fechamento das lojas físicas por conta da pandemia do coronavírus, que aumentou as restrições à mobilidade e também acelerou a mudança de comportamento do consumidor. No primeiro trimestre de 2021, a companhia registrou prejuízo de cerca de R$ 36 milhões.

Porém, Zemel ressalta que já se nota que, quando há a reabertura de lojas com o relaxamento das restrições, elas têm mostrado uma forte recuperação. Além disso, não há planos de deixá-las de lado e sim integrá-las cada vez mais com as operações digitais.

“Temos indícios tanto internos quanto externos de que a loja física continua sendo um canal fundamental. Dos meses que as lojas ficam abertas, até independentemente do avanço da vacinação, elas têm registrado um bom desempenho. Estamos confiantes também olhando para os números de fora, de vários players em países em que a vacinação está mais avançada, inclusive com a tendência de que o consumidor volte a fazer mais esporte, o que deve beneficiar a gente”, avalia.

Enquanto as lojas físicas continuam sendo importantes, Zemel aponta que o digital é uma “tendência secular”. Desta forma, a empresa tem uma “visão holística omnichannel’, com o consumidor transitando de maneira fluida pelos diferentes canais, temas que o grupo quer desenvolver cada vez mais.

“O canal para a gente é algo tático. A loja e o e-commerce complementam a oferta para que a gente possa oferecer o melhor para o consumidor em termos de conveniência. Estamos bastante confiantes em como eles se complementam”, afirma.

Neste sentido, na avaliação do CEO, o modelo de megalojas da Centauro também tem espaço para crescer, ainda mais considerando que a empresa está em cerca de 200 dos 600 shoppings do Brasil. Ele destaca que a loja não é mais só um local para “trocar mercadoria por dinheiro”, mas sim um local para conectar clientes com a marca, ser um centro de distribuição e também um espaço para conquistar clientes. Desta forma, o executivo aponta que a loja é central para estratégia, inclusive no digital.

André Ribeiro, sócio-fundador e gestor da Brasil Capital, que tem exposição em ações da SBF, questionou durante a live como a estratégia da empresa se encaixa com as aquisições recentes, com o comando da operação da Nike do Brasil, além da compra da NWB.

Zemel destacou que a Nike do Brasil é enorme e uma das mais admiradas pelo consumidor brasileiro, e que a operação reforça a tese de formar efetivamente um ecossistema e atuar nas diversas etapas de consumo. A grande estratégia da SBF com a Nike é o desenvolvimento de acesso direto ao consumidor, que é uma estratégia global da companhia americana.

O desenvolvimento se dá pelo e-commerce e pela operação de lojas. “A marca Nike merece uma presença importante no mercado brasileiro e a gente está preparando esse avanço em loja física”, afirma. Zemel disse estar otimista e orgulhoso com a operação, a primeira aquisição desde o IPO, com a marca atingindo uma margem Ebitda (Ebitda, ou lucro antes juros, impostos, depreciações e amortizações, sobre receita líquida) de 9% no primeiro trimestre.

Já sobre a NWB, o CEO citou o forte potencial de público, já que o grupo já chegou a cerca de 2 bilhões de visualizações no Youtube por ano e 80 milhões de seguidores no Instagram.

“É, muito relevante para o público do esporte e encaixa como uma luva na estratégia de ecossistema”, apontando que a estratégia é positiva por construir relação mais profunda para usuários do esporte e apresentar conteúdo que é benéfico para consumidor, aproximando-se dele. Do outro lado, também há uma diminuição do custo para conquistar um novo consumidor, além de garantir a perenidade da relação e também aumentar o relacionamento com uma série de influenciadores do segmento, “abrindo uma avenida de receitas”.

Indo às compras?

Ao ser questionado sobre futuras aquisições – recentemente, houve rumores de movimentações para fusão com a Track & Field ( TFCO4), posteriormente negados -, o executivo afirmou que, antes do IPO e em um momento sem dinheiro tão abundante no país, a empresa já tinha uma lista de empresas que já interessa em adquirir. Contudo, durante a live, ele não citou nomes de possíveis “alvos”.

“O sonho dessa empresa, desde que foi fundada, sempre foi muito ambicioso, muito grande e continua sendo. De fato, que isso seja o começo de uma história, de que a gente consiga multiplicar em muitas vezes o tamanho dessa companhia. A estratégia de adquirir empresas está disponível e com a qual estamos mais confortáveis agora que vivemos uma experiência de fazer uma transição com uma empresa grande, que fatura bilhões. Quando pensamos em quais seriam os caminhos, pensamos no consumidor e no esporte, que tem várias audiências e marcas que são muito relevantes”, ressalta, fazendo a ponderação de que, além de aquisições, a SBF também pode chegar ao seu modelo de ecossistema do esporte através de parcerias.

O grupo, afirmou, tem uma área de fusões e aquisições estruturada e também uma área recém criada chamada SBF Ventures, em que busca criar novos negócios e também buscar aquisições de negócios menores. “A gente entende que M&A [fusões e aquisições] é sim um caminho para fechar esse mapa e chegar a um dia ser um ecossistema super completo e um destino para os consumidores do esporte no Brasil no que eles precisem nessa jornada”, avalia.

Melhores da Bolsa

InfoMoney premia anualmente as melhores empresas da Bolsa, com base num ranking exclusivo feito pela provedora de serviços financeiros Economatica e pela escola de negócios Ibmec.

O ranking analisa critérios quantitativos e qualitativos das empresas de capital aberto num período de três anos – o objetivo de escolher um período superior a um ano é valorizar a consistência de resultados. Com base nesses critérios, são premiadas as melhores empresas entre os principais setores da Bolsa, a empresa revelação (que avaliou as companhias que têm capital aberto há menos de três anos) e a melhor companhia do mercado.

A análise considerou um período de três anos, de 31 de dezembro de 2017 a 31 de dezembro de 2020.  Veja aqui todas as empresas premiadas.

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Lara Rizério

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