Dólar tem maior alta semanal desde março com ambiente doméstico ruidoso

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar subiu pelo quarto pregão seguido nesta sexta-feira, indo a uma máxima em duas semanas e mantendo-se acima de R$ 5, com investidores ainda em postura conservadora diante do noticiário político doméstico apesar do clima pró-risco no exterior.

O mercado vinha minimizando potenciais impactos vindos das discussões na CPI da Covid-19 instalada no Senado, mas nesta semana os preços sentiram o baque conforme aumentou a pressão sobre o governo diante de denúncias de corrupção na compra de vacinas contra a Covid-19, enquanto o tema passou a ser tratado com mais destaque na CPI.

“A tendência é que, com novos depoimentos marcados para a semana que vem, o período turbulento se arraste. Há receio no Ministério da Economia, reportado pelo noticiário, de que o ambiente prejudique o avanço da agenda econômica no Congresso”, disse a XP em nota.

Mesmo o noticiário sobre reformas desagradou nos últimos dias, com o mercado ainda digerindo o texto da segunda fase da reforma tributária apresentado uma semana atrás, que causou muito mal-estar entre agentes financeiros. O dólar chegou a subir 1,40% na sexta-feira da publicação do texto.

Nesta semana, o dólar acumulou alta de 2,32% –a mais intensa desde a semana finda em 26 de março (+4,68%).

Ao fim desta sessão, a moeda negociada no mercado à vista subiu 0,15%, a R$ 5,0523 na venda –pico desde 18 de junho (R$ 5,0713). A taxa de câmbio teve ampla oscilação, saindo de R$ 4,9882 (-1,12%) a R$ 5,0742 (+0,58%).

Nas quatro altas consecutivas, a cotação acumulou ganho de 2,51%. O dólar não registrava essa série positiva desde as também quatro altas vistas entre 24 e 29 de março, período em que se fortaleceu 4,56%.

Em duas sessões de julho, a moeda ganha 1,53%, reduzindo a desvalorização no ano para 2,68%.

O tom mais cauteloso no ambiente doméstico ofuscou no Brasil o clima favorável a risco no exterior, após dados de emprego nos EUA terem vindo fortes, mas não de forma suficiente para endossar expectativas de que o Federal Reserve (banco central norte-americano) reduzirá em breve estímulos.

No exterior, o índice do dólar caía 0,35% no dia, afastando-se de máximas em três meses alcançadas mais cedo, na esteira dos dados de emprego nos Estados Unidos.

No geral, os cenários de analistas não têm contemplado deterioração para a taxa de câmbio nos próximos meses, ainda que o dólar eventualmente fique acima de R$ 5 ao fim do ano. O Rabobank, por exemplo, vê a moeda em R$ 5,15 em dezembro e em R$ 5,20 ao término de 2022.

“A normalização mais rápida da política monetária e a melhoria dos termos de troca vêm emprestando força ao real. Além disso, melhores indicadores de sustentabilidade da dívida reduzem os prêmios de risco dos ativos domésticos no curto prazo, mas as perspectivas fiscais de longo prazo e uma redução mais rápida de estímulos nos EUA permanecem desafiadoras”, disseram Mauricio Une e Gabriel Santos em nota.

Na próxima semana, destaque para as divulgações da ata da última reunião de política monetária do Fed (quarta-feira) e do IPCA de junho (quinta). O mercado também vai monitorar nos próximos dias eventual decisão do governo sobre a prorrogação do auxílio emergencial e possibilidade de avanços na discussão sobre a reforma tributária.

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