Tesouro Direto: taxas dos títulos públicos revertem alta e passam a cair na tarde desta sexta-feira

Percentual, juros, taxas e Selic

SÃO PAULO – As taxas pagas pela maioria dos títulos públicos do Tesouro Direto reverteram o movimento de alta visto nos últimos pregões, inclusive, o de hoje de manhã. E passaram a cair na tarde desta sexta-feira (2).

No radar dos investidores estão dados sobre o ritmo da produção da indústria em maio, além de desdobramentos sobre a cobrança mais alta no preço da bandeira vermelha patamar 2 para julho e a possibilidade de mais reajustes nos meses seguintes pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O mercado também acompanha o pedido de abertura de inquérito pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A solicitação faz referência ao crime que o presidente teria cometido após ter sido informado de possíveis irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin.

Na agenda internacional, investidores também monitoram dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos, que vieram acima das expectativas.

Na atualização após o almoço, o prêmio do título com vencimento em 2024 recuou de 8,22%, no começo da manhã para 8,17% nas negociações da tarde. Na sessão anterior, o mesmo título oferecia retorno de 8,22%. Também à tarde, a taxa do título com vencimento em 2031 que paga juros semestrais manteve o retorno de 9,15% registrado um dia antes. Já a taxa do papel prefixado com vencimento em 2026 estava em 8,57% nas negociações da tarde, contra 8,60% na sessão passada.

Entre os papéis com retornos atrelados à inflação, as taxas também apresentavam leve queda durante a tarde na comparação com os prêmios registrados na primeira atualização da manhã. Os títulos do tipo Tesouro IPCA+ com vencimentos em 2035 e 2045, por exemplo, pagavam juro real de 4,10%. Anteriormente, o papel oferecia retorno real de 4,13%. Já os títulos indexados à inflação com vencimento em 2055 e juros semestrais ofereciam juro real de 4,38%, ante 4,42% da sessão de quinta-feira.

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto nesta sexta-feira (2):

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Produção industrial e energia

Aqui no Brasil, investidores monitoram os dados de produção industrial em maio. Segundo o Instituto  Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção da indústria local subiu 1,4% na passagem entre abril e maio, após três meses de queda. O percentual ficou pouco abaixo do esperado pelo mercado, que projetava alta de 1,7% na comparação mensal.

Ainda assim, com esse resultado, a indústria voltou ao patamar de fevereiro de 2020. Produtos alimentícios, derivados do petróleo e biocombustíveis, além da indústria extrativa puxaram a alta no mês. No ano, o setor acumula ganho de 13,1%, mas recua 4,9% nos últimos 12 meses.

Também hoje pela manhã, o Operador Nacional do Sistema (ONS) divulga dados sobre carga de energia e afluência de chuvas. O mercado vem acompanhando o assunto com bastante atenção. Segundo matéria publicada pelo jornal Valor Econômico, a indústria se movimenta para evitar que eventuais apagões prejudiquem ou interrompam as operações.

Companhias de segmentos chamados de “eletrointensivos”, que têm a energia elétrica como importante componente de custos estão negociando, por exemplo, a compra de equipamentos que tragam redução do consumo de energia e investimentos em cogeração nas fábricas.

Ainda entre os destaques, o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a defender um imposto sobre transações financeiras (nos moldes da extinta CPMF) para compensar a desoneração da folha de pagamento.

“Esse imposto sobre pagamento não é declaratório, não tem que preencher papel, não tem que pagar advogado, ninguém está isento. Falam que ele é regressivo, cruel, mas não é. Se todo trabalhador que ganha R$ 1.500 receber um aumento de R$ 1,50, já compensa essa incidência do tributo”, afirmou ontem, em evento virtual organizado pelo empresário Abílio Diniz.

Abertura de inquérito

O mercado ainda acompanha a solicitação feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR), nesta sexta-feira (2), de abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por prevaricação, após ter sido informado de possíveis irregularidades na compra da vacina indiana contra o coronavírus Covaxin.

O pedido foi apresentado pelo vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, à ministra Rosa Weber, do Supremo. A solicitação ocorre depois que ela negou pedido da Procuradoria para suspender, até o fim dos trabalhos da CPI da Pandemia do Senado Federal, a tramitação de notícia-crime contra o presidente protocolada por alguns senadores.

Reforma tributária

Ainda no cenário nacional, com a expectativa de que o projeto de lei referente à reforma tributária encaminhado na última sexta-feira (25) pelo governo possa sofrer mudanças no Congresso, investidores continuam a acompanhar de perto o tema.

No caso dos títulos públicos, o governo propõe que os rendimentos sejam tributados na fonte com uma alíquota única de 15%, a partir de 1º de janeiro de 2022. Hoje, segundo a tabela regressiva do IR, a tributação da renda fixa é de 22,5% para aplicações de até 180 dias, com uma alíquota que cai gradualmente e chega a 15% apenas para investimentos acima de 720 dias.

Leia mais:
• Quais investimentos poderão manter a isenção de IR com a reforma tributária?

Cenário internacional

No cenário internacional, o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos anunciou que o país criou 850 mil empregos em junho, de acordo com o Relatório de Emprego (payroll) divulgado nesta sexta-feira (2)

A pesquisa da Refinitiv com economistas projetava criação de 700 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola no mês passado, depois de 559 mil em maio.

A taxa de desemprego, por sua vez, oscilou para cima, de 5,8% para 5,9%. A projeção era de que a taxa de desemprego caísse para 5,7% em junho.

Além de dados sobre emprego, hoje saíram os dados de encomendas à indústria dos Estados Unidos. De acordo com o Departamento de Comércio, as encomendas para o segmento cresceram 1,7% em maio, na comparação com o mês anterior, a US$ 495,5 bilhões, após ajustes sazonais. O resultado correspondeu a previsão de analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal.

Investidores também monitoram a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), que foi adiada para hoje. Segundo informações da agência internacional de notícias Reuters, o adiamento ocorreu porque os Emirados Árabes Unidos fizeram oposição à assinatura de um novo acordo sobre petróleo.

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Bruna Furlani

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