Impasse na Opep+ pode levar petróleo brent para perto dos US$ 80 no curto prazo, mas analistas ainda esperam acordo

Instalações de petróleo da Aramco

SÃO PAULO – Após renovar máximas no início da manhã desta terça-feira (6), os principais contratos futuros de petróleo registram queda durante a tarde, com os investidores embolsando os lucros após a notícia de que os produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados, conhecida como Opep+, entraram em confronto sobre os planos de aumentar a oferta para atender à crescente demanda global.

O insucesso para um acordo significa que um esperado aumento de produção a partir de agosto não vai acontecer. A alta na produção era aguardada para ajudar a acalmar os preços do petróleo, que têm gerado temores com a possibilidade de a inflação prejudicar a recuperação global após a pandemia de coronavírus.

O contrato futuro WTI com vencimento em agosto caía 2,25%, a US$ 73,47 o barril, por volta das 13h10 (horário de Brasília), enquanto o petróleo Brent com vencimento em setembro tinha queda mais intensa, de 3,38%, a US$ 74,55 o barril.

Ainda nesta terça, os futuros do WTI chegaram a ser negociados a US$ 76,98, um preço não visto desde novembro de 2014, revertendo os ganhos a partir das 11h, enquanto o brent atingiu seu nível mais alto desde o final de 2018, antes de também reverter os ganhos.

A avaliação, é de que, sem um acordo imediato, os preços do petróleo sigam em alta, apesar da queda desta sessão.

Com o surpreendente colapso das negociações, condições mais apertadas da oferta de petróleo e pressão de alta sobre os preços – pelo menos no curto prazo – também elevam o temor inflacionário que desafia bancos centrais e traz turbulência aos ativos de risco.

Com os futuros do petróleo tipo Brent tendo ultrapassado US$ 77 o barril pela primeira vez desde 2018 nesta semana, as ações globais de energia subiram. “O rali do petróleo encapsula nitidamente a narrativa mais ampla de reflação”, disse à Bloomberg Ilya Spivak, responsável por Grande Ásia no DailyFX.

A valorização mais forte das cotações poderia aumentar o senso de urgência do Federal Reserve para apertar a política monetária, levando a uma ampla reversão do apetite por risco que puxaria para baixo ações, petróleo e outros ativos sensíveis à percepção do mercado, disse.

Tanto na avaliação do Credit Suisse quanto para o Bradesco BBI, o impasse pode levar o brent para US$ 80 o barril no curto prazo. “A manutenção das cotas originais [de produção], aliada ao verão no Hemisfério Norte, provavelmente fará com que os níveis de estoque caiam mais rapidamente até o final do mês”, destaca o BBI.

Contudo, mesmo com o impasse se prolongando, ainda há expectativas de um acerto entre os produtores.

Para o Credit Suisse, por um lado, quanto mais tempo levar para um acordo ser costurado, mais lucro terão os produtores no segundo semestre de 2021, com o estoque de petróleo continuando a atrair em escala global, sem aumento na produção.  Por outro lado, os investidores não gostariam de ver seria a dissolução do acordo da OPEP+. Se a Arábia Saudita e os Emirados Árabes não conseguirem resolver suas diferenças, isso pode levar a volta da guerra de preços, o que e um cenário severo para investidores.

A Bloomberg também ressalta que, se os Emirados Árabes Unidos deixarem o cartel, existe risco de os produtores aumentarem a oferta, o que pode acabar por derrubar as cotações do petróleo.

Na mesma linha, o BBI destaca que os investidores ainda esperam que a OPEP + se reúna em algum momento no curto prazo para revisitar as suas cotas de produção.

(com Reuters e Bloomberg)

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Equipe InfoMoney

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