Tesouro Direto: prêmios dos títulos públicos têm queda nesta quarta-feira

SÃO PAULO – As taxas pagas pela maioria dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto iniciaram as negociações desta quarta-feira (7) em queda, ao contrário do movimento de alta visto nas últimas duas sessões.

No radar local dos investidores estão as vendas no comércio varejista que subiram 1,4% em maio, mas desaceleraram frente a abril. O resultado veio abaixo das projeções dos analistas compilados pela Refinitiv, que aguardavam uma alta de 2,4% na comparação com o mês anterior.

Ainda na agenda local, investidores acompanham a participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, na reunião da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle e na audiência pública na Comissão Especial da Reforma Administrativa, em Brasília.

Já no cenário internacional, as atenções estão voltadas para a divulgação, às 15h, da ata da reunião do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

O prêmio do título prefixado com vencimento em 2024, por exemplo, caía de 8,37% na sessão de ontem para 8,34% na primeira atualização do dia. A taxa do título com vencimento em 2031 que paga juros semestrais, por sua vez, oferecia rentabilidade de 9,27%. Na sessão anterior, o mesmo título oferecia rentabilidade de 9,33%.

Da mesma forma, a taxa do papel prefixado com vencimento em 2026 recuava de 8,78%, na sessão de terça-feira para 8,72% na abertura das negociações desta quarta-feira.

Entre os papéis com retornos atrelados à inflação, as taxas também recuavam em relação às negociações de ontem. No começo das negociações de hoje, os títulos do tipo Tesouro IPCA+ com vencimentos em 2035 e 2045 pagavam juro real de 4,08%, contra 4,13% na sessão de ontem. No mesmo horário, os títulos indexados à inflação com vencimento em 2055 e juros semestrais ofereciam juro real de 4,34%, ante 4,40% da sessão passada.

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto nesta quarta-feira (7):

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Cena doméstica

Na agenda local, o mercado monitora os dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre as vendas no comércio varejista que subiram 1,4% em maio, pelo segundo mês consecutivo.

De acordo com o IBGE, o setor acumula ganho de 6,8% no ano e de 5,4% nos últimos 12 meses. O aumento foi puxado principalmente pelo setor de veículos, que tem uma base de comparação muito baixa e também não está nos patamares pré-pandemia, mas desde abril vem se recuperando.

A agenda econômica também foi marcada hoje pela divulgação do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que subiu 0,11% em junho, desacelerando em relação a maio (3,40%). Os números também vieram abaixo das expectativas (0,22%).

A perda da força da inflação no atacado ocorreu por causa da descompressão nos preços de commodities, que foi explicada principalmente pelo arrefecimento das cotações e pela recente apreciação do câmbio. Nos últimos 12 meses, o IGP-DI acumula alta de 34,53%.

Além de indicadores, o mercado acompanha o ritmo de vacinação. De acordo com os analistas Alexandre de Azara e Fabio Ramos, do banco UBS, a expectativa do banco é que cerca de 85% dos adultos maiores de 30 anos tenham recebido pelo menos a primeira dose da vacina contra o coronavírus até agosto. As informações foram apresentadas hoje em relatório enviado a clientes.

No documento, eles também esperam que a economia volte a se comportar um pouco mais próxima do “normal”, em termos de reabertura e de consumo, em setembro, quando cerca de 83% dos adultos maiores de 30 anos já devem ter recebido a segunda dose.

Ainda no cenário local, investidores acompanham a CPI da Covid, que ouve hoje Roberto Dias, ex-diretor do Ministério da Saúde acusado de pedir propina para adquirir doses da vacina da Astrazeneca.

Cenário internacional

Enquanto isso no cenário externo, as atenções estão voltadas para a ata do Federal Open Market Commitee (Fomc), de forma a entender se ela confirma uma guinada mais  “hawkish” na política monetária dos Estados Unidos.

Hoje, por volta das 10h da manhã (horário de Brasília), os principais futuros das bolsas americanas operavam no campo positivo, com leve alta, à espera dos dados do Fomc.

Na zona do euro, a Comissão Europeia revisou para cima as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do bloco para este ano e para 2022. Com isso, a comissão agora prevê que o PIB da zona do euro crescerá 4,8% em 2021 e 4,5% em 2022, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira.

No documento anterior, publicado em maio, as projeções eram de alta de 4,3% neste ano e de 4,4% no próximo. Segundo a comissão, as revisões estão relacionadas ao fato de que a atividade econômica ultrapassou as expectativas no primeiro trimestre deste ano e à melhora da situação sanitária, com uma reversão mais ágil dos lockdowns ao longo do segundo semestre.

“Essa é a maior revisão para cima que fizemos em mais de dez anos e está em linha com o avanço da confiança das empresas a um nível recorde nos últimos meses”, comentou Paolo Gentiloni, comissário da UE para a economia, referindo-se à projeção para 2021.

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Bruna Furlani

Bruna Furlani

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