Tesouro Direto: taxas dos títulos públicos recuam nesta quinta-feira

SÃO PAULO – As taxas pagas pelos títulos públicos negociados no Tesouro Direto caíam no início das negociações desta quinta-feira (8), após a desaceleração apresentada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em junho, em um dia marcado pela maior aversão ao risco por parte dos investidores globalmente, em meio aos receios quanto ao crescimento econômico nos próximos meses.

O prêmio do título prefixado com vencimento em 2024, por exemplo, caía de 8,31% na sessão de ontem para 8,27% na primeira atualização do dia. No mesmo horário, a taxa do título com vencimento em 2031 que paga juros semestrais, por sua vez, oferecia rentabilidade de 9,26%. Na sessão anterior, o mesmo título oferecia rentabilidade de 9,30%.

Da mesma forma, a taxa do papel prefixado com vencimento em 2026 recuava de 8,71%, na sessão de quarta-feira para 8,70% nas negociações do início desta manhã.

Entre os papéis com retornos atrelados à inflação, as taxas também registravam queda em relação às negociações de ontem. No começo das negociações de hoje, os títulos do tipo Tesouro IPCA+ com vencimentos em 2035 e 2045 pagavam juro real de 4,10%, contra 4,13% nas negociações de ontem.

Já os títulos indexados à inflação com vencimento em 2055 e juros semestrais ofereciam juro real de 4,34% nas negociações do começo da manhã. Anteriormente, o mesmo papel pagava juro real de 4,39%.

Amanhã, por causa do feriado de 9 de julho que foi antecipado em São Paulo, não haverá negociação na plataforma do Tesouro Direto e nem na B3.

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto nesta quinta-feira (8):

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Radar local

Na agenda econômica doméstica, o destaque está nos dados de inflação divulgados hoje pelo IBGE que mostraram que a inflação ficou em 0,53% em junho, na comparação com maio, representando uma desaceleração frente à alta de 0,83% de maio.

Com isso, o indicador acumula alta de 3,77% no ano e 8,35% nos últimos 12 meses. A variação acumulada em 12 meses é a maior desde setembro de 2016 (8,48%). Em junho de 2020, a taxa mensal foi de 0,26%.

O dado ficou levemente abaixo do esperado. De acordo com projeções compiladas pela Refinitiv, a expectativa era de alta de 0,59% na comparação com maio e de 8,40% frente igual período do ano passado.

O maior impacto (0,17 p.p.) para o resultado de junho foi do grupo habitação (1,10%), principalmente, por causa da energia elétrica (1,95%). Embora tenha desacelerado em relação ao mês anterior (5,37%), a conta de luz teve o maior impacto individual no índice do mês (0,09 p.p.).

Em relatório breve enviado a clientes, a avaliação da equipe de macroeconomia da XP é que, ainda que o IPCA tenha surpreendido para baixo, a perspectiva no curto prazo é de avanço da inflação, que seria impulsionado pela alta na eletricidade, no preço de combustíveis e na alimentação em domicílio. Mesmo assim, os analistas mantiveram a projeção para o IPCA neste ano em 6,4%.

No cenário político, os destaques do dia estão na CPI da Covid, que ouve a ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde Franciele Fantinato e no projeto que debate os “supersalários”.

Ontem, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência para o projeto de lei que trata dos “supersalários” no serviço público. Já a votação do mérito do texto ficou para a próxima semana.

O PL 6.726/2016 regulamenta os tipos de pagamentos que podem ficar de fora do teto do funcionalismo público, aplicado a servidores civis e militares, magistrados e detentores de mandato. Com isso, as parcelas recebidas fora desses grupos, somadas, não poderão ultrapassar o limite estabelecido pela Constituição Federal, de R$ 39,2 mil mensais.

Na prática, o projeto está parado na Câmara dos Deputados há cerca de quatro anos e foi retomado a pedido de líderes partidários, que querem que ele seja votado antes da proposta de reforma administrativa apresentada pelo governo federal no ano passado.

Cenário internacional

No radar internacional, as bolsas operam em queda com o maior pessimismo sobre o ritmo de recuperação da economia global com o avanço da variante delta do coronavírus, levando países da Ásia a retomarem medidas de restrição.

Nos Estados Unidos, o destaque fica por conta de dados do mercado de trabalho. Segundo o Departamento do Trabalho americano, o número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos na semana encerrada em 3 de julho aumentou para 373 mil, levando em conta ajustes sazonais.

Analistas consultados pela Refinitiv projetavam um número de 350 mil pedidos. Esse indicador é divulgado com uma semana de atraso.

O Departamento do Trabalho americano também informou que o nível de pedidos da semana anterior foi revisado para cima em 7 mil, de 364 mil para 371 mil.

Os números de empregos são acompanhados juntamente com as informações que saíram ontem da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. No documento divulgado ontem, vários membros mencionaram que aguardam que as condições para começar a reduzir o ritmo de compras de ativos serão atendidas antes do que tinham antecipado em reuniões anteriores. Essa opinião já havia sido informada no comunicado da reunião passada.

Já o Banco Central Europeu (BCE) estabeleceu nesta quinta uma nova meta de inflação. Em uma decisão amplamente esperada, o BCE fixou sua meta de inflação em 2% no médio prazo, abandonando uma formulação anterior que almejava inflação “abaixo, mas perto de 2%”, o que deu a impressão de que a autoridade monetária estava mais preocupada com o aumento dos preços acima de sua meta do que abaixo dela.

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Bruna Furlani

Bruna Furlani

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