Mortes por doenças cardíacas, que são a principal causa de óbitos no Brasil, estão sendo instrumentalizadas por produtores de desinformação para atacar as vacinas contra a Covid-19. Em aplicativos de troca de mensagens e nas redes sociais, multiplica-se material “denunciando” um suposto aumento nas mortes súbitas e relacionando isso à vacinação.

O esforço para criar dúvidas em torno de uma campanha de imunização que está ajudando a salvar milhares de vidas conta com o apoio de perfis de grande alcance, como o da deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), que tem brigado pelo direito de “fazer deduções baseadas na observação dos fatos”.

De acordo com o médico Jorge Kalil, diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo (Incor), não há nenhuma evidência científica de que qualquer uma das vacinas que estão sendo aplicadas no mundo contra a Covid-19 causem mortes por mal súbito.

“Os efeitos das vacinas são acompanhados. Mais de oito bilhões de doses já foram aplicadas no planeta e não se observou isso”, afirma ele em entrevista ao Metrópoles.

O especialista explica que há sim relações documentadas entre vacinação e uma doença cardíaca, a miocardite, que é uma inflamação do músculo cardíaco. “Acontece sobretudo em homens jovens, saindo da adolescência. Mas quase sempre evoluindo de maneira benigna. O que é preciso frisar é que a própria infecção pela Covid aumenta o risco de miocardite muito mais do que a vacina. Aumenta 34 vezes mais”, complementa Jorge Kalil, que explica o mecanismo usado por quem propaga notícias falsas em relação ao tema:

“As pessoas transformam casualidade temporal em relação de causa: tomou a vacina e dias depois teve um problema de coração. Mas isso, por si só, não comprova causa”, explica ele. E muitas das notícias sensacionalistas sobre o tema falseiam a própria proximidade temporal e outras informações.

Um profissional do próprio Incor foi usado dessa forma. O fisioterapeuta Fábio Rodrigues teve um infarto na virada do ano e uma notícia falsa sobre o fato “informava” que ele tinha 25 anos e havia tomado vacina duas semanas antes. O profissional, na verdade, tem 48 anos e tinha se vacinado em outubro.

“Tenho todos os fatores de risco para ter infarto: história familiar, triglicérides alto, colesterol alto e sou sedentário. Os fatores de risco eu tenho todos. Não tem nada a ver com a vacina”, disse ele ao jornal O Globo.

Os dados

As arritmias cardíacas afetam ao menos duas dezenas de milhões de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac), e causam entre 300 mil e 320 mil mortes por ano. Só a Covid-19, entre 2020 e meados de 2021, matou mais que doenças do coração no Brasil.

Em meio à pandemia, o número de óbitos por doenças cardiovasculares chegou a aumentar, de acordo com a Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Brasil (Arpen-Brasil). A entidade divulgou que, nos primeiros seis meses do ano passado, 150 mil óbitos por essa razão haviam sido registrados, aumento de 7% em relação ao mesmo período de 2020.

O aumento, para o presidente do Departamento de Insuficiência Cardíaca da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Evandro Mesquita, está relacionado a uma maior dificuldade de buscar auxílio médico, com o sistema voltado ao combate à pandemia e a maiores dificuldades para a prática de atividades físicas pela população – uma das formas mais eficazes de prevenir problemas cardíacos.

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