Dono da Centauro, o Grupo SBF (SBFG3) afirmou que a chegada das coleções da marca Nike sofrem com as consequência do novo lockdown na China e pela variação cambial, o que pode levar a companhia a ampliar sua produção no Brasil.

Em teleconferência com analistas nesta quarta-feira (11), o diretor financeiro da companhia (CFO), José Luís Magalhães Salazar, disse, ao ser questionado sobre os níveis de estoques de produtos vindos da Ásia, que a empresa “não está em uma situação ótima”, por conta de atrasos na cadeia de suprimentos. 

Segundo ele, as coleções não têm vindo como o planejado, de forma que uma parte das encomendas é composta por produtos de períodos anteriores. Cerca de 40% dos produtos da Nike vendidos pela Fisia, que opera a marca no Brasil, são fabricados por aqui, e estão registrando avanço gradual dm sua representatividade.

O CEO do Grupo SBF, Pedro de Souza Zemel, acrescentou que, por conta do câmbio, é interessante que determinadas linhas de produtos sejam trazidas para cá. As camisetas da seleção, por exemplo, já são fabricadas no Brasil, conforme a empresa.

Por outro lado, Salazar disse que os problemas no fornecimento vêm sendo minimizados, e que empresa está conseguindo crescer e obter bons resultados. Caso o fornecimento se normalize, é provável que haja incremento nas vendas, afirmou.

Segundo o balanço da empresa, houve crescimento de 63% da receita bruta bruta das lojas Nike Value no 1T22, com alta de SSS (sigla em inglês para vendas mesmas lojas) de 54,8%. As vendas on-line da Nike, por sua vez, cresceram 120% para R$ 277 milhões.

Em relação às lojas, Zemel disse que em 2022 a empresa pretende abrir 15 Nike Value Stores e 5 Nike Stores, que devem se tornar um canal relevante de vendas. Estes pontos de venda devem abrir no final do ano, disse, inicialmente em shoppings, mas com espaço para pontos nas ruas. 

O Grupo SBF registrou lucro líquido de R$ 17,636 milhões nos três primeiros meses de 2022, revertendo o prejuízo de R$ 36,18 milhões registrado um ano antes. A receita líquida da dona da Centauro e distribuidora da Nike aumentou 65% entre os intervalos, atingindo R$ 1,3 bilhão.

Fisia, da Nike

Salazar afirmou que, no mês de abril, a Fisia continuou “voando”, e que houve bom desempenho das lojas físicas, assim como dos canais digitais. Zemel, por sua vez, destacou entre as iniciativas para aumento das vendas a internalização da plataforma, construção de um aplicativo da Fisia e da Centauro.

O executivo ressaltou que os produtos da Nike não são necessariamente usados para fazer esporte, misturando-se também com moda.

Margens SBF 

Em relação às margens, Salazar afirmou que elas não devem ficar em 2022 muito diferentes das registradas em 2021. Segundo balanço, a margem bruta ajustada do grupo atingiu 46,1% no 1º trimestre, um crescimento de 2,6 pontos percentuais em comparação ao 1T21.

Salazar afirmou que a empresa conta com hedge (proteção) contra variações cambiais para este ano.

Adicionalmente, afirmou que a companhia pretende realizar investimentos estratégicos em marketing, o que elevará os gastos. Mas a alavancagem operacional deve compensá-los, de forma que a margem Ebitda fique similar a 2021, disse. 

Créditos tributários e alíquotas

Em relação ao uso de créditos tributários da Fisia, que opera a marca Nike no Brasil, e a redução de outras contas a pagar, Salazar afirmou que a companhia tem a pagar o crédito que a Fisio tinha de PIS/Cofins e de ICMS antes da aquisição. 

A expectativa é de que o PIS/Cofins se encerre no terceiro trimestre deste ano, quando este será quitado, encerrando o pagamento da Nike. O crédito de ICMS deverá ser efetivamente utilizado quando a empresa conseguir implementar o incentivo fiscal na Fisia, o que diz esperar que ocorra a partir de 2023.

Questionado sobre a contabilização de ganhos a partir do segundo trimestre com o default e sobre estratégias de rentabilização, Salazar afirmou que, para continuar apurando os resultados do default até meados de abril, seria necessário conseguir liminares em cada estado.

As decisões dos juízes estaduais vêm sendo, no entanto, de devolver ao STF a questão, em relação à cobrança do diferencial de alíquota, se deveria ocorrer no final de abril ou apenas em 2023. 

Assim, o Grupo SBF entrará com ações para obter os recursos ainda em 2022, realizando um depósito judicial com os valores, que serão registrados no balanço.

Caso o STF decida que a cobrança é válida a partir de 2022, o dinheiro depositado será pago ao Estado, mas, se a Corte decidir pela cobrança a partir de 2023, o valor entrará no caixa da companhia.

Análise do balanço

Em análise sobre os resultados, o Itaú BBA escreveu que, no primeiro trimestre de 2022, o Grupo SBF (SBFG3) surpreendeu em termos de rentabilidade.

Conforme a casa, o balanço foi positivo, com os resultados vindo em linha com as estimativas do BBA e surpreendendo com margem Ebitda 80 bps acima do previsto, impulsionado por ganhos de margem bruta na base anual – embora ainda pressionados na comparação com o 1º trimestre de 2019 –, além do reconhecimento de sinergias com a Fisia e diluição de despesas.

O BBA mantém classificação da ação como market perform (desempenho na média de mercado),com preço-alvo de R$ 40,00.

As ações da empresa, por volta da 13h27, registravam desvalorização de 1,49%, cotadas a R$ 22,51.

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