Adolfo Sachsida fala à imprensa após ser anunciado como novo ministro de Minas e Energia (Reprodução/YouTube MME)

Em seu primeiro pronunciamento à imprensa depois de ter sido nomeado ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida disse que “temos que estimular o investimento privado e atrair o capital internacional” para o setor energético brasileiro. Ele também enalteceu o trabalho de seu antecessor Bento Albuquerque.

“Gostaria de agradecer ao presidente Bolsonaro pela confiança depositada na minha pessoa. Explicito também meu agradecimento público ao ministro Bento, que prestou um serviço valioso ao Brasil, seja na questão da cessão onerosa, seja na liderança de outros processos igualmente importantes para o Brasil. (…) Agradeço também ao ministro Paulo Guedes, pelos ensinamentos e pelo apoio nesses mais de três anos em que trabalhei no ministério da Economia”, afirmou Sachsida durante coletiva no início da noite desta quarta-feira (11), em Brasília.

O novo ministro disse que o “Brasil precisa ser um porto seguro do investimento” e que, para isso, são necessárias medidas estruturais. “Temos que investir na economia pelo lado da oferta. Precisamos melhorar os marcos legais e trazer mais segurança jurídica para o investimento privado aportar cada vez mais no Brasil, aumentando a produtividade de nossa economia.”

Segundo Sachsida, o aumento dos investimentos deve se refletir na melhora do emprego e da renda da população. Ele citou “desafios geopolíticos”, se referindo à guerra na Ucrânia, e disse que isso está gerando um realinhamento dos investimentos, que estão saindo de países arriscados e migrando para “democracias ocidentais amigas”.

“Países que não aproveitarem essa mudança no fluxo dos investimentos perderão, por décadas, a chance de atrair novos investimentos”, disse o ministro, citando que o Brasil é hoje uma referência global no que se refere à segurança alimentar e energética. “Nossa matriz de energia é limpa e sustentável. Investir em fontes energéticas limpas é um caminho seguro a ser trilhado.”

Sachsida mencionou o Congresso Nacional, a quem chamou de “grande parceiro” na aprovação da agenda econômica do governo federal. “Eu tenho certeza que, em parceria com o Congresso Nacional, com as lideranças do Senado e da Câmara, com a presidência da Câmara e do Senado, iremos aprovar importantes projetos de lei para aprimorar nossos marcos legais e segurança jurídica, dando a previsibilidade necessária para que o investimento privado flua cada vez mais para o Brasil”, disse.

Ele citou como prioridades o PL 414 de 2021, que prevê modernização do setor elétrico, o PL 3178, de mudança do regime de partilha para concessões, o PL 4188, do novo marco de garantias, pela MP 1.103, do novo marco de securitização, e da MP 1104, do aprimoramento das garantias agro. “Em conjunto, essas medidas têm impacto trilionário no mercado de capitais, de crédito e de seguros no Brasil”, disse.

“Existe hoje uma urgência no ministério de Minas e Energia: nós precisamos dar continuidade ao processo de capitalização da Eletrobras. É fundamental lançarmos um processo de capitalização da Eletrobras, sinal importante para atrair mais capitais para o Brasil e mostrar ao mundo, de maneira definitiva, que o Brasil é um porto seguro de investimento”, disse.

Sachsida disse que seu primeiro ato como ministro será solicitar a Paulo Guedes, ministro da Economia e presidente do Conselho do PPI [Programa de Parcerias de Investimentos], que leve ao conselho a inclusão da PPSA — Pré-Sal Petróleo S.A., a estatal responsável por gerir os contratos da União no pré-sal — no PND (Programa Nacional de Desestatização), para avaliar as alternativas para sua desestatização.

“Ainda como parte do meu primeiro ato, solicito também o início dos estudos tendentes à proposição das alterações legislativas necessárias à desestatização da Petrobras”, completou o ministro.

Adolfo Sachsida

O presidente Jair Bolsonaro realizou a troca do comando do Ministério de Minas e Energia nesta quarta-feira (11). Bento Costa Lima Leite de Albuquerque foi exonerado, a pedido, sendo substituído por Adolfo Sachsida. As informações estão na edição desta quarta do Diário Oficial da União (DOU).

A mudança ocorre após recentes críticas do presidente à política de preços da Petrobras (PETR3 ; PETR4), ligada à pasta. Em live na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro comparou a estatal a outras petrolíferas para pressionar uma redução do lucro da brasileira.

De acordo com o presidente, a Petrobras “tem gula enorme” e “tem gordura” para “adotar responsabilidade” e não subir o preço dos combustíveis no País. “Vocês têm lucro de 30%. Dá para resolver isso aí”, apelou o presidente ao presidente da empresa, José Mauro Ferreira Coelho, aos diretores da empresa e também ao então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. “Quando é empresa pública ou sociedade de economia mista, deve ter função social. ”

“Vocês não podem, ministro Bento Albuquerque e senhor José Mauro, da Petrobras, não podem aumentar o preço do diesel. Não estou apelando, estou fazendo uma constatação levando-se em conta o lucro abusivo que vocês têm. Vocês não podem quebrar o Brasil. É um apelo agora: Petrobras, não quebre o Brasil, não aumente o preço do petróleo. Eu não posso intervir. Vocês têm lucro, têm gordura e têm o papel social da Petrobras definido na Constituição”, disse.

Já nesta semana, a Petrobras anunciou a elevação em 8,87% do preço do diesel para as distribuidoras. O valor médio do litro vendido pela petroleira passou de R$ 4,51 para R$ 4,91.

Analistas e cientistas políticos do time de análise da XP disseram, nesta quarta-feira, durante o programa Timing Político, do InfoMoney, que a troca no comando do MME não serve para segurar os preços dos combustíveis, mas é uma forma de Bolsonaro sinalizar à sua base que está insatisfeito com a escalada dos valores e seus impactos na inflação. Assista ao programa na íntegra acima, ou clique aqui.

Quem é o novo ministro

Adolfo Sachsida, substituto de Bento Albuquerque, ocupava a posição de chefe da Assessoria Especial de Assuntos Estratégicos do Ministério da Economia.

Antes, foi secretário de Política Econômica (SPE), sendo responsável pelas projeções macroeconômicas do governo, como a de inflação e PIB, mas deixou o cargo no último mês de fevereiro.

Leia mais: “Brasil vai crescer mais do que o mercado espera”, diz Adolfo Sachsida

Sachsida é economista, doutor pela Universidade de Brasília e tem pós-doutorado pela Universidade do Alabama, nos Estados Unidos.

Ele está com Jair Bolsonaro desde a campanha eleitoral de 2018 e, pelas redes sociais, agradeceu à confiança do presidente em colocá-lo no cargo.

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