Criptos respiram após US$ 183 bi evaporarem com colapso da FTX; dado aponta possível reversão

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O Bitcoin (BTC) amanhece em leve alta de, 1,3% nesta sexta-feira (18), a US$ 16.752, em primeiro sinal de alívio cerca de uma semana depois que a FTX pediu falência e teve US$ 600 milhões de clientes roubados em um hack. No auge da crise, após a Binance desistir de comprar a corretora, no dia 9 de novembro, o mercado como um todo caiu pela primeira vez desde o começo de 2021 para menos de US$ 800 bilhões, uma perda de US$ 183 bilhões em cerca de três dias. Hoje, a capitalização das criptos volta para próximo de US$ 840 bilhões, segundo dados do CoinGecko.

Outros ativos digitais respiram nesta manhã, como é o caso do Ethereum (ETH), que opera em alta de 2%, a US$ 1.214,38, e da Binance Coin (BNB), que avança 2,6%, a US$ 272. A Chiliz (CHZ), ligada a fan tokens de times de futebol, salta 8,7% a dois dias do início da Copa do Mundo no Qatar.

Considerando o desempenho semanal, no entanto, o melhor resultado de longe segue com o token Trust Wallet (TWT), que dá direito a voto em melhorias na carteira de mesmo nome. O ativo quase dobrou de preço nos últimos 7 dias após carteiras digitais ganharem terreno em meio à desconfiança em torno de exchanges não reguladas.

Em um documento enviado à justiça na quinta-feira (17), o novo CEO da FTX, John J. Ray, revelou o estado dos problemas de contabilidade e a falta de diligência corporativa na empresa, até semana passada chefiada pelo ex-bilionário americano Sam Bankman-Fried.

“Nunca em minha carreira vi uma falha tão completa de controles corporativos e uma ausência tão completa de informações financeiras confiáveis como ocorreu aqui”, disse Ray. “Desde falhas na integridade de sistemas e supervisão regulatória defeituosa no exterior, até a concentração de controle nas mãos de um grupo muito pequeno de indivíduos inexperientes, não sofisticados e potencialmente comprometidos, esta situação é sem precedentes”.

Informações do processo de falência também revelaram que a Alameda Research, empresa de trading irmã da FTX, tinha uma “isenção secreta” dos procedimentos de liquidação da FTX. Na prática, a Alameda poderia negociar na exchange em posições alavancadas sem correr os mesmos riscos aos quais demais traders eram submetidos.

Jon Campagna, head de negociação e mercados de capitais do fundo de investimento cripto CoinFund, se disse “envergonhado” e “triste” com o colapso da FTX. Um dos fundos do CoinFund fez um pequeno investimento na FTX.

“Tenho uma raiva muito grande que não consigo fazer passar”, escreveu em mensagem ao CoinDesk. “Doeu olhar para os rostos de meus companheiros de equipe e parceiros nesta semana e na última. Olhar para os rostos de meus concorrentes e colegas enquanto tentávamos ajudar uns aos outros a navegar no caos”.

Estima-se que a FTX tenha deixado para trás um milhão de credores. Nos EUA, um grupo de investidores ingressou com uma ação indenizatória contra pessoas ligadas à exchange, incluindo celebridades que promoviam o negócio publicamente, incluindo a brasileira Gisele Bündchen e seu ex-marido, o ex-jogador de futebol americano Tom Brady – ambos investiram na FTX e viraram sócios de Bankman-Fried.

As notícias de ontem envolvendo o colapso da corretora não afetaram os preços das criptomoedas, e alguns dados começam a sugerir a possibilidade de uma reversão pela frente. Segundo o analista Glenn Williams, traders de derivativos começam a se posicionar com viés mais positivo. Segundo ele, diante da grande quantidade de posições abertas que ainda apostam na queda, um short squeeze no Bitcoin pode vir pela frente se as condições seguirem na trajetória atual.

Um short squeeze se dá quando um ativo sobe de preço repentinamente e provoca a liquidação de posições que apostavam na queda, o que por sua vez ajuda a acelerar o movimento.

José Artur, CEO da Coinext, ressalta que o Bitcoin está posicionado para novas altas no futuro apesar da crise atual no setor. “Diferentemente do FTT, token da FTX, o Bitcoin não está vinculado a uma instituição, sendo mais seguro e livre dos problemas enfrentados por FTT e por LUNA, token de outro projeto que quebrou em 2022”.

Confira o desempenho das principais criptomoedas às 7h:

CriptomoedaPreçoVariação nas últimas 24 horas
Bitcoin (BTC)US$ 16.752,43+1,30%
Ethereum (ETH)US$ 1.214,38+2,00%
Binance Coin (BNB)US$ 272,28+2,60%
XRP (XRP)US$ 0,384829+2,80%
Dogecoin (DOGE)US$ 0,085642+0,90%

 

As criptomoedas com as maiores altas nas últimas 24 horas:

CriptomoedaPreçoVariação nas últimas 24 horas
Chiliz (CHZ)US$ 0,245450+8,70%
Trust Wallet (TWT)US$ 2,29+7,60%
Stacks (STX)US$ 0,249605+6,90%
Litecoin (LTC)US$ 62,50+6,00%
Leo Token (LEO)US$ 4,18+5,30%

 

As criptomoedas com as maiores quedas nas últimas 24 horas:

CriptomoedaPreçoVariação nas últimas 24 horas
Solana (SOL)US$ 13,63-3,60%
Tokenize Xchange (TKX)US$ 7,03-2,80%
Synthetix Network (SNX)US$ 1,73-2,30%
Hedera (HBAR)US$ 0,04908835-2,50%
Evmos (EVMOS)US$ 1,13-0,90%

 

Confira como fecharam os ETFs de criptomoedas no último pregão:

ETFPreçoVariação
Hashdex NCI (HASH11)R$ 15,91+0,95%
Hashdex BTCN (BITH11)R$ 21,02+0,52%
Hashdex Ethereum (ETHE11)R$ 18,98+0,90%
Hashdex DeFi (DEFI11)R$ 17,46-6,53%
Hashdex Smart Contract Plataform FI (WEB311)R$ 12,50-7,40%
Hasdex Crypto Metaverse (META11)R$ 32,00-7,03%
QR Bitcoin (QBTC11)R$ 5,73+3,24%
QR Ether (QETH11)R$ 4,48-2,60%
QR DeFi (QDFI11)R$ 3,10-1,89%
Cripto20 EMPCI (CRPT11)R$ 5,00+3,51%
Investo NFTSCI (NFTS11)R$ 19,18+2,50%
Investo BLOKCI (BLOK11)R$ 79,350,00%

Veja as principais notícias do mercado cripto desta sexta-feira (18):

Custodiantes devem se beneficiar de colapso da FTX

Custodiantes institucionais de criptomoedas devem ganhar força após o colapso da FTX, disse Octavio Marenzi, CEO da empresa de consultoria de gestão Opimas, em entrevista ao CoinDesk.

“Os verdadeiros beneficiários serão players com grandes nomes e balanços patrimoniais muito grandes”, disse Marenzi. “Como Fidelity e BNY Mellon”.

Em 2018, a Fidelity lançou sua plataforma de negociação, Fidelity Digital Assets, focada em custódia institucional de criptos. Recentemente, abriu lista de espera para o Fidelity Crypto, um produto de negociação de varejo.

Já o BNY Mellon lançou no mês passado seus serviços de custódia de criptomoedas.

Já no Brasil, o Itaú anunciou ontem que dará largada em sua solução de custódia de ativos digitais em 2023.

Binance cria confusão com saques na rede Solana

A Binance e a OKX deixaram clientes confusos na quinta-feira (17) ao mudarem de ideia com relação ao suporte para as stablecoins USDC e USDT que rodam na rede Solana.

A Binance primeiro anunciou a suspensão temporária de saques e depósitos desses ativos, e a OKX foi além, dizendo que estava cancelando a listagem dos tokens.

Mais tarde, porém, ambas voltaram atrás. A Binance retomou os depósitos para USDT na Solana e a OKX atualizou o comunicado inicial e disse que não estava cancelando a listagem, mas sim “interrompendo o suporte” para as duas criptos.

A Solana, vale lembrar, é um projeto patrocinado pela FTX.

Cardano anuncia stablecoin própria

A Emurgo, braço comercial e entidade fundadora da blockchain Cardano (ADA), planeja lançar uma stablecoin própria indexada ao dólar chamada USDA no início de 2023, disse a empresa em nota.

A USDA, segundo a empresa, será lançada “em conformidade com as regulamentações”.

“O lançamento de uma stablecoin totalmente lastreada e em conformidade com as regulamentações é o próximo passo para concretizar o futuro de nossa comunidade”, afirmou o diretor administrativo da Emurgo,Vineeth Bhuvanagiri.

Hashdex não foi impactada por crise na Genesis

A Hashdex, dona do principal ETF com exposição a criptoativos listado na B3, o HASH11, “não tem qualquer tipo de vínculo com a Genesis Global Capital”, disse a gestora em nota enviada à imprensa.

A empresa admite já ter utilizado a Genesis Trading para executar transações over-the-counter (mercado de balcão) no passado, mas ressalta que não tem, no momento, qualquer tipo de exposição a risco de contraparte com a Genesis.

A Genesis anunciou a interrupção de saques de clientes na quarta-feira (16), após revelar exposição ao colapso da FTX. A medida afetou a conta de rendimento da Gemini, que também acabou suspendendo retiradas do produto na sequência.

A Hashdex havia dito, na semana passada, que também não está exposta à FTX ou à Alameda, e que nunca adquiriu FTT.

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paulobarros

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