Mulheres ainda são minoria entre fundadores de startups; conheça as histórias de quatro empreendedoras

A participação de mulheres no empreendedorismo cresceu globalmente nos últimos dois anos. No Brasil, a porcentagem de novas empreendedoras aumentou 41% enquanto que entre os homens, esse número foi de 22%. Os dados são do Global Gender Gap Report 2022, do Fórum Econômico Mundial.

Apesar de ser uma boa notícia, o aumento de mulheres empreendedoras pode ser visto como uma consequência de uma série de desafios específicos ao gênero que elas enfrentam em suas vidas profissionais.

Para Maria Fernanda Musa, Diretora de Aceleração de Negócios da Endeavor Brasil, ainda vivemos em um ecossistema empreendedor com baixa representatividade de mulheres à frente de startups e scale-ups, e que não é um ambiente necessariamente acolhedor ou favorável para essas fundadoras.

Segundo dados do Report de Female Founders, realizado em 2020 pelo Distrito em parceria com a Endeavor e a B2Mamy, as startups e scale-ups brasileiras fundadas exclusivamente por mulheres são apenas 4,7% do total. Somando o percentual de empresas cofundadas por mulheres (5,1%), apenas 9,8% das empresas têm fundadoras mulheres. “Então, entendemos que o ecossistema de empreendedorismo feminino ainda está em formação. Para ter uma ideia, 66% das empresas com fundadoras mulheres foram fundadas nos últimos cinco anos, mas a perspectiva é que esse número continue aumentando daqui pra frente – o que é muito positivo”, afirma Musa.

De acordo com Musa, os setores com mais concentração de mulheres fundadoras hoje são as chamadas fashiontechs, de moda, RH e gestão, negócios sociais e alimentação. “Mas temos visto cada vez mais empreendedoras em outros ramos, como saúde, biotecnologia, educação, varejo e serviços financeiros. Essas mulheres normalmente empreendem por oportunidade e não por necessidade, quando se trata de negócios de alto crescimento. No geral, elas possuem amplo conhecimento do mercado onde elas atuam, já vivenciaram o problema que elas estão pretendendo resolver e muitas delas já empreenderam anteriormente, mesmo que em negócios de menor escala”.

Para Musa, o acesso a capital pode ser considerado um dos maiores desafios para essas fundadoras. “Mesmo com o aumento da oferta de capital nos últimos anos, especialmente venture capital, ainda há uma desigualdade grande na alocação desse capital”, afirma. Segundo o Report de Female Founders, em 2020, elas receberam apenas 0,04% do total de capital de risco investido no país.

Além disso, normalmente os investimentos em empresas lideradas por mulheres ainda estão concentrados em estágios iniciais, o que dificulta muito o amadurecimento do ecossistema de empreendedorismo feminino. “Isso porque o capital nessa fase de tração é determinante para que as empresas consigam crescer, gerar impacto e se tornar exemplos para novos cases de mulheres fundadoras que vão surgir posteriormente”.

Musa trabalha, justamente, para ajudar essas mulheres a superar os desafios. “Aqui na Endeavor, estamos trabalhando duro para tornar o ecossistema empreendedor mais diverso e mais inclusivo, e isso passa por aumentar a representatividade de mulheres no nosso portfólio”, diz.

Na Endeavor, quando se olha para representatividade de gênero, em menos de dois anos a organização saltou de 18% para aproximadamente 30% nos programas de aceleração da Endeavor – um percentual maior que no ecossistema de scale-ups, onde esse número não passa de 9,4%. E esses avanços são fruto de uma série de ações. “Vemos que a presença de mais empresas lideradas por mulheres nos nossos programas e mais mulheres atuando como conselheiras são formas de advogarmos pela equidade de gênero e pela redução de viés dentro do mercado de trabalho. Também entendemos que um ambiente diverso e inclusivo é mais propenso à inovação e acreditamos que é possível moldar o ecossistema aprendendo com quem já fez e facilitando o acesso a capital e a conexões”, diz.

A ambição da Endeavor é chegar, em 2025, a 40% de representatividade de gênero e de raça em todos os nossos públicos, incluindo time, cargos de liderança, mentoras, mentores, embaixadoras, embaixadores, empreendedoras e empreendedores acelerados. “Isso porque quanto mais exemplos de mulheres empreendendo tivermos no Brasil, mais mulheres acreditarão que isso é possível e seguirão o mesmo caminho. Esse é o poder do exemplo se manifestando na prática”, finaliza.

Enquanto as metas não são alcançadas, o InfoMoney selecionou a história de quatro empreendedoras que contaram suas trajetórias ao podcas Do Zero ao Topo. 

Ana Cabral-Gardner

Ana Cabral-Gardner é Co-CEO da Sigma Lithium, empresa fundada em 2011 e que mira o mercado mundial de carros elétricos.

Ela começou sua carreira no famoso Banco Garantia, comandado por Jorge Paulo Lemann. De lá, fez seu caminho no mercado financeiro, em bancos tradicionais, até começar a empreender, criar seu próprio fundo e investir na empresa que era do seu marido na época. O casamento acabou, mas Ana continuou no projeto.

Ana Oliva Bologna

Ana Oliva Bologna é a presidente do conselho da Astra e diretora da Japi, que, combinadas possuem 2.000 funcionários, 8.000 produtos no portfólio e com faturamento de R$ 1 bilhão.

O grupo de empresas foi fundado por “seu” Francisco Oliva, que com três filhas que não se interessavam pelo negócio, deixou aos netos a missão de tocar o negócio. Foi Ana quem mais se interessou pela empreitada até que em 2014 chegou à presidência do conselho das companhias.

Ana Fontes

Ana Fontes é fundadora da Rede Mulher Empreendedora, uma das maiores entidades de apoio ao empreendedorismo feminino no Brasil.

Tudo começou quando Ana estava infeliz no mundo corporativo. Ela criou um site de avaliações e um coworking, mas nenhum desses negócios deu certo. Então, a alagoana decidiu criar um blog para compartilhar o conhecimento que tinha adquirido em um curso com outras empreendedoras. Assim começou a Rede Mulher Empreendedora, que hoje já tem mais de 9 milhões de mulheres que consumiram algum dos seus conteúdos.

Alcione Albanesi

Alcione Albanesi criou a maior empresa de lâmpadas do país e em 2014, com 12 anos de mercado e um faturamento de R$ 300 milhões, deixou os negócios para focar no Amigos do Bem, uma das maiores organizações sociais do país.

Hoje, com Amigos do Bem, ela ajuda cerca de 150 mil pessoas por mês e mobiliza mais de 11 mil voluntários com a missão de acabar com a extrema pobreza no sertão nordestino.

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Mariana Amaro

Mariana Amaro

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