Núcleos de inflação na Europa devem demorar mais a ceder que nos EUA, diz Capital Economics

Percentual, juros, taxas e Selic

O contraste percebido entre a inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) nos Estados Unidos e na Europa, que ficou evidenciado na semana passada deve permanecer em 2023. A projeção foi feita em relatório da Capital Economics. Em outubro, o CPI anualizados nos EUA alcançou 7,7% (ante 8,2% em setembro), enquanto o índice na Zona do Euro bateu em 10,6% (acima dos 9,9% de um mês antes).

Segundo a empresa de pesquisas econômicas, embora o núcleo da inflação pareça destinado a cair em todos os mercados desenvolvidos, a crise energética e os mercados de trabalho mais apertados na Europa estão entre as razões pelas quais a velocidade da queda da inflação no continente tende a ser mais lenta.

A empresa observa com mais atenção o comportamento do núcleos de inflação. Na área do euro, o índice que exclui energia e alimentos ainda se mostrou forte em outubro, atingindo 5%, com a inflação em todos os principais grupos de produtos próximos ou em níveis recordes. Por outro lado, a avaliação é que o núcleo da inflação nos EUA (6,3%) já atingiu o pico.

Segundo Simon MacAdam, economista sênior da Capital Economics, existem três razões pelas quais o núcleo da inflação tende a cair mais lentamente na Europa do que nos EUA. O primeiro é que, embora a escassez de bens tenha diminuído globalmente, ela continua aguda em muitos setores da Europa, sugerindo que as pressões sobre os preços dos bens permanecerão mais resilientes nos próximos meses.

“De acordo com as últimas pesquisas, a escassez ainda aflige 54% das empresas industriais no Reino Unido, e quase todos os setores manufatureiros da Zona do Euro estão sofrendo de escassez mais generalizada agora do que jamais experimentaram antes da pandemia”, afirmou MacAdam no relatório.

“Combinado com preços de energia muito mais altos, uma prevalência maior de escassez pode explicar por que as pressões sobre os preços dos bens de consumo têm sido muito mais fortes na Europa do que nos EUA”, explicou.

O segundo motivo é que os mercados de trabalho parecem mais apertados no continente europeu do nos EUA. “O crescimento dos ganhos por hora já desacelerou nos EUA, enquanto o crescimento dos salários regulares no Reino Unido aumentou. E na Zona do Euro, o rastreador de salários do Indeed sugere que o crescimento salarial oferecido para novas contratações disparou de menos de 2% anuais para mais de 5% até agora este ano”, comparou.

Segundo ele, é verdade que as taxas de vacância de empregos e as intenções de contratação das empresas diminuíram tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. Mas a escassez de trabalhadores é aparentemente pior neste último e isso significa que os empregadores na Zona do Euro e no Reino Unido podem estar mais relutantes do que seus pares nos EUA em reduzir as contratações ou demitir trabalhadores quando as economias enfraquecerem em 2023.

O terceiro fator é que há várias peculiaridades nos dados do CPI dos EUA que o Reino Unido e a Zona do Euro não compartilham, como seguro saúde e nos preços dos carros usados, por exemplo.

“A diferença mais significativa entre os EUA e a Europa é que os aluguéis são um grande impulsionador da inflação nos EUA, mas mal movem a agulha na Europa. Portanto, dado que as medidas oportunas de aluguéis do setor privado enfraqueceram acentuadamente nos EUA, isso deve ser um grande obstáculo ao núcleo da inflação naquele país que a Europa não reproduzirá”, afirmou.

Por conta disso, a Capital Economics acredita que o núcleo da inflação na Europa pode cair em 2023, como vai acontecer nos EUA, mas que isso só deve ocorrer mais para o final do próximo ano – para o Reino Unido, isso não vai acontecer antes de 2024 .

“O núcleo da inflação mais alto na Europa é uma das razões pelas quais esperamos que o Banco da Inglaterra e o BCE mudem para cortes nas taxas mais tarde do que o Fed, que achamos que começará a cortar as taxas já no terceiro trimestre do ano que vem”, previu.

 

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Roberto de Lira

Roberto de Lira

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