Comef vê sistema financeiro resiliente, mas alerta para riscos de crédito e de confiança do regime fiscal

Embora o Sistema Financeiro nacional permaneça resiliente, o apetite ao risco das instituições financeiras brasileiras para o crédito às famílias permanece elevado, o que segue como ponto de atenção. O diagnóstico foi feito na última reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central, realizada no último dia 17 de novembro e cuja ata foi publicada hoje.

Segundo os membros do Comef, o ritmo de crescimento em modalidades de crédito mais arriscadas, como cartão de crédito e crédito não-consignado, segue alto, o que requer mais atenção em um ambiente de piora do comprometimento de renda e do endividamento das famílias.

“No entanto, algumas instituições já mostram critérios de concessão mais restritivos nessas modalidades. O Comef avalia que é importante os intermediários financeiros continuarem preservando a qualidade das concessões, levando em conta, notadamente, a exposição total dos seus clientes junto ao SFN”, recomenda o comitê.

De acordo com a ata, a continuidade da deterioração do cenário macroeconômico global ainda não se traduziu em aumento relevante da inadimplência bancária, mas continua levando bancos globais com importância sistêmica a elevar suas provisões de forma preventiva.

Diante desse cenário macroeconômico considerado desafiador, várias autoridade monetárias estão adotando medidas contracíclicas para fortalecer a resiliência dos bancos. Ainda segundo o comitê, há sinais de desaceleração no mercado imobiliário das principais economias, a despeito dos preços de imóveis ainda estarem elevados para padrões históricos, caracterizando-se como fator de risco à estabilidade financeira.

“Os bancos centrais reiteram que as instituições financeiras estão preparadas para enfrentar eventual materialização de cenários adversos”, diz a ata do Comef.

Regime fiscal

Segundo o comitê, o impacto mais severo continua sendo o observado no cenário de quebra de confiança no regime fiscal. “Os mercados financeiros internacionais têm mostrado maior sensibilidade a desenvolvimentos que afetem os fundamentos fiscais, inclusive em países avançados”, comenta a ata.

Segundo os membros do Comef, esse ambiente favorece a materialização de cenários extremos de reprecificação dos ativos financeiros e, consequente, aumento dos custos de financiamento, público e privado, trazendo também potenciais implicações para a estabilidade financeira.

“A materialização de cenários extremos no mercado global pode levar a impacto significante sobre as economias emergentes. A combinação de inflação elevada, atividade em desaceleração e alta volatilidade nos mercados traz desafios para a comunicação das políticas monetária, fiscal e macroprudencial nesses países”, alertam. “A transparência, previsibilidade e credibilidade na condução dessas políticas são essenciais para mitigar os riscos sistêmicos”, conclui.

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Roberto de Lira

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