Indústria de armas cresce na Europa Oriental ajudada por conflito na Ucrânia

PRAGA/VARSÓVIA (Reuters) – A indústria armamentista da Europa Oriental está produzindo armas, projéteis de artilharia e outros suprimentos militares em um ritmo não visto desde a Guerra Fria, enquanto os governos da região lideram esforços para ajudar a Ucrânia em sua luta contra a Rússia.

Os aliados têm fornecido armas e equipamentos militares a Kiev desde que a Rússia invadiu o país vizinho em fevereiro.

Os Estados Unidos e o Reino Unido comprometeram a ajuda militar mais direta à Ucrânia entre 24 de janeiro e 3 de outubro, mostra um rastreador do Instituto Kiel para a Economia Mundial, com a Polônia em terceiro lugar e a República Tcheca em nono.

“Levando em conta as realidades da guerra em curso na Ucrânia e a atitude visível de muitos países visando aumentar os gastos no campo dos orçamentos de defesa, há uma chance real de entrar em novos mercados e aumentar as receitas de exportação nos próximos anos”, disse Sebastian Chwalek, presidente-executivo da estatal poloneza PGZ.

A PGZ controla mais de 50 empresas que fabricam armas e munições –de transportadores blindados a sistemas aéreos não tripulados– e detém participações em dezenas de outras.

A empresa agora planeja investir até 8 bilhões de zlotis (1,8 bilhão de dólares) na próxima década, mais que o dobro de sua meta pré-guerra, disse Chwalek à Reuters. Isso inclui novas instalações localizadas mais longe da fronteira com Belarus, aliada da Rússia, por razões de segurança, disse ele.

Outros fabricantes também estão aumentando a capacidade de produção e correndo para contratar trabalhadores, disseram empresas e funcionários do governo da Polônia, Eslováquia e República Tcheca.

Chwalek disse que a PGZ agora produzirá mil sistemas portáteis de defesa aérea Piorun em 2023 –nem todos para a Ucrânia– em comparação com 600 em 2022 e 300 a 350 nos anos anteriores.

A empresa, que ele disse também ter fornecido sistemas de artilharia e morteiros, obuses, coletes à prova de balas, armas pequenas e munições para a Ucrânia, provavelmente superará a meta de receita pré-guerra de 2022 de 6,74 bilhões de zlotis.

Empresas e autoridades se recusaram a fornecer detalhes específicos sobre suprimentos militares para a Ucrânia, e algumas não quiseram ser identificadas, citando questões de segurança e questões comerciais.

O colapso da União Soviética em 1991 e a expansão da Otan na região levaram as empresas a se modernizar, mas “elas ainda podem produzir rapidamente coisas como munições que se adaptam aos sistemas soviéticos”, disse Siemon Wezeman, pesquisador do Stockholm International Peace Research Institute.

As entregas para a Ucrânia incluíram cartuchos de artilharia de calibres “orientais”, como cartuchos de obus de 152 mm e foguetes de 122 mm não produzidos por empresas ocidentais, disseram autoridades e empresas.

Eles disseram que a Ucrânia adquiriu armas e equipamentos por meio de doações de governos e contratos comerciais diretos entre Kiev e os fabricantes.

MAIS DO QUE BONS NEGÓCIOS

A Ucrânia recebeu quase 50 bilhões de coroas (2,1 bilhões de dólares) em armas e equipamentos de empresas tchecas, cerca de 95% das quais foram entregas comerciais, disse o vice-ministro da Defesa tcheco, Tomas Kopecny. As exportações tchecas de armas neste ano serão as mais altas desde 1989, disse ele, com muitas empresas do setor adicionando empregos e capacidade.

“Para a indústria tcheca de defesa, o conflito na Ucrânia e a assistência que ele fornece é claramente um impulso que não vimos nos últimos 30 anos”, disse Kopecny.

As vendas de defesa ajudaram o Checoslovak Group, que possui empresas como Excalibur Army, Tatra Trucks e Tatra Defense, a quase dobrar suas receitas do primeiro semestre em relação ao ano anterior, para 13,8 bilhões de coroas.

A empresa está aumentando a produção de cartuchos de calibre 155mm padrão-Otan e 152mm e reformando veículos de combate de infantaria e tanques T-72 da era soviética, disse o porta-voz Andrej Cirtek à Reuters.

Ele disse que abastecer a Ucrânia é mais do que apenas um bom negócio. “A maioria da população tcheca ainda se lembra dos tempos de ocupação russa do nosso país antes de 1990 e não queremos ter tropas russas perto das nossas fronteiras.

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Reuters

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