Black Friday: veja como comprar sem bagunçar as finanças e ficar longe de ofertas disfarçadas de golpe

sacola black friday

As ofertas já estavam “saltando da vitrine” faz tempo, mas o dia oficial da Black Friday 2022 no Brasil é hoje: 25 de novembro. Com tantos descontos à vista, o consumidor que se planejou e fez o bom e velho dever de casa de pesquisar o que realmente precisa vai se dar bem nesta edição do maior evento do varejo.

A Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) estima que a Black Friday deste ano movimente cerca de R$ 6,05 bilhões em vendas, um resultado que se concretizado será 3,5% maior do que o registrado em 2021.

Especialistas em consumo consultados e representantes de varejistas afirmam que, nesta edição, a televisão será a “grande vedete” das vendas por causa da realização da Copa do Mundo do Catar, iniciada 5 dias antes da data oficial. Os torcedores querem telão de cinema para acompanhar a Seleção Brasileira rumo ao hexacampeonato.

A data das promoções também será usada, segundo pesquisas de consumo, para as famílias anteciparem as compras de Natal, que receberão aquela “ajudinha” da primeira parcela do 13º salário.

Se você perder a Black Friday nesta sexta, ainda haverá uma outra chance. Na segunda-feira (28) será realizada a Cyber Monday, voltada para descontos em produtos de tecnologia. E depois do Natal, claro, a tradicional queima de estoque das varejistas, com preços sempre mais em conta.

Para você que busca, agora, fazer uma compra responsável e segura, a reportagem do InfoMoney preparou um guia com uma série de informações. Confira:

Compras com planejamento

A Black Friday acontece no momento em que o bolso dos brasileiros está em frangalhos. Números da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) apontam que a cada dez brasileiros adultos, quatro (40,05%) estavam com o nome negativado em outubro de 2022. São 64,87 milhões de pessoas nesta situação, um novo recorde para a série histórica da pesquisa iniciada há oito anos.

Em um momento crítico como o de agora é lei universal ser consciente na hora de ir às compras apesar de tantos chamarizes. O segredo é planejar a compra do que realmente precisa olhando, claro, se o dinheiro disponível é suficiente para cobrir o custo para não gerar novas dívidas.

Até o cartão de crédito, tido no senso comum como um vilão, pode funcionar nas compras. Segundo planejadores financeiros, o diferencial é usar o cartão de crédito, e não o crédito do cartão.

“Avalie se é mais vantajoso comprar à vista ou parcelado. Dependendo do caso, dividir o valor em parcelas também pode ser uma boa opção. Mas lembre-se que as parcelas podem pesar na organização financeira dos meses seguintes”, diz Camila Pedretti, consultora de experiência do cliente da Jotta, consultoria de tecnologia.

Leia também: Planejamento financeiro: o que é e como fazer

Se você se atrapalhou com o uso do cartão, o cuidado terá de ser ainda mais redobrado. Os juros do rotativo do cartão de crédito podem ultrapassar os 400% ao ano gerando uma bola de neve em suas finanças.

Os planejadores financeiros apontam que o maior erro do consumidor é não pagar a fatura e cair no rotativo, com a dívida ganhando tamanho estratosférico sob os juros do cartão de crédito. Assim, caso este seja o seu caso, o conselho dos especialistas é unânime: evite a Black Friday.

E uma dica dos especialistas que vai além de Black Friday: custo com gastos variáveis, como o cartão de crédito, não deve ultrapassar os 30% das suas finanças pessoais.

Compare preços

Pesquisar o que realmente importa é atalho para quem não quer errar na Black Friday. Antes do advento da tecnologia, os consumidores precisavam ir de loja em loja para conferir os descontos. Com a internet, sites que comparam preços e divulgam as melhores ofertas fazem esse trabalho ao consumidor. Então, compare os preços.

Depois avalie qual forma de pagamento é a mais vantajosa — ou seja, que dá o maior percentual de desconto no valor final do item/serviço adquirido. O Pix, ferramenta de transação financeira criada pelo Banco Central, vem sendo muito utilizado pelas varejistas nesta edição da Black Friday, com descontos mais consideráveis.

O cuidado é com o destinatário da chave Pix: cheque sempre quem vai receber antes de confirmar o envio do dinheiro pelo sistema de pagamento do BC. Caso haja algum problema, o ressarcimento do valor costuma ser burocrático.

Aproveite as compras

Para quem se planejou e sabe que as compras na Black Friday não farão um desarranjo nas contas, a dica é garimpar por promoções com cashback, mecanismo que converte uma porcentagem do valor gasto em crédito para novas aquisições, transferência bancária ou crédito no cartão.

Para descobrir cupons de desconto, sites como Cuponomia, Méliuz e MeuCupom ajudam.

O vídeo abaixo explica como funciona e o que você precisa prestar atenção na hora de usar o recurso. Veja: 

Ainda, as principais varejistas do país estão trabalhando nisso desde o ano passado e, por isso, planejaram uma Black Friday deste ano muito além das TVs, muito popular em ano de Copa: elas querem não só que você compre um aparelho novo, como quer também que você compre a sua cerveja, a sua picanha e até o seu snack pela internet.

Especialistas também afirmam que a Black Friday pode ser uma boa oportunidade para comprar viagens e pacotes mais baratos. Também vale lembrar que supermercados e hipermercados entram na Black Friday com muitas ofertas e essa é uma ótima chance para abastecer a casa com produtos de higiene e limpeza para os próximos meses. Alguns sites unem promoções desse tipo, como o “Oferta de Supermercados”, “Catálogo de Ofertas” e “Porta Folhetos”.

Melhores horários para comprar

Estudo da Promobit, plataforma de promoções e descontos, destaca algumas categorias de produtos e os melhores horários de ofertas para adquiri-los.  Na categoria de moda masculina, as ofertas começarão a pipocar mais após às 15h desta sexta, tendo ápice às 23h. Já quem busca itens de moda feminina, as ofertam seguirão com mais força entre 12h e 13h.

Quem busca trocar de celular não terá uma janela de horário tão específica porque as ofertas são mais pulverizadas. Segundo o estudo, o comportamento engloba iPhones e aparelhos Android, com a diferença que o volume de ofertas dos produtos que não são da Apple é bem maior.

Para TVs, a dica é ficar atento às ofertas até 1h da manhã desta sexta, quando as promoções começam a diminuir. Para eletrodomésticos, o melhor horário é entre 9h e 11h.

Evite golpes

Outro cuidado fundamental é com a prevenção contra golpes relacionados às compras.

Segundo Marcelo Queiroz, head de estratégia de mercado da ClearSale, a Copa do Mundo e a Black Friday representam um momento propício para a atuação dos fraudadores.

“O momento é potencial para as ações criminosas e de engenharia social, técnica de manipulação psicológica utilizada por criminosos para aliciar consumidores, utilizando o lado emocional motivado pelo Mundial de futebol”, diz.

Ainda segundo Queiroz, os golpistas utilizam da seguinte técnica: “eles tentam capturar dados a partir de promoções e produtos ligados ao evento, sorteios e benefícios de todos os tipos, que normalmente são utilizados como fator de alavanca de clique emocional, para que as pessoas fiquem mais suscetíveis a caírem em golpes de engenharia social”.

A ClearSale estima que 1,5% das transações do dia da Black Friday sejam de tentativas de fraude. Dois cuidados:

“Frete”
Desconfie da oferta em que o preço do produto é vantajo, mas o do frete é muito caro. É um claro sinal de golpe.

“Metade do dobro”
Outro golpe comum é o realizado por estabelecimentos comerciais em que os preços, antes da Black Friday, passam por um aumento e são vendidos preço normal na data promocional. Para fugir da “metade do dobro”, o ideal é acompanhar a variação dos preços com antecedência. Se você não conseguiu fazer isso, é importante utilizar os sites de comparação de preços e consultar a lista do Procon sobre sites suspeitos.

Antes de fechar uma compra online, informe-se sobre a reputação do site em portais de serviço ao consumidor, como o ReclameAqui, e observe as formas de pagamento oferecidas. Outra dica, segundo os especialistas, é desconfiar de preços muito abaixo dos praticados no mercado, além de evitar compras pelas redes sociais.

E lembre-se: se não tiver certeza de que a página é segura, não coloque informações pessoais e tampouco realize a compra.

Como resolver problemas pós-Black Friday

Problemas relacionados à aquisição de um produto ou serviço adquirido na Black Friday são comuns. Os especialistas reforçam que a melhor saída é buscar um acordo com a empresa envolvida.

“Se o consumidor identificar que se trata de uma fraude ou quiser voltar atrás na compra por se sentir lesado, a dica é entrar em contato imediato com a empresa e explicar a situação e os motivos da sua insatisfação. A empresa precisa dar um prazo para solucionar o problema”, afirma Predretti, da Jotta.

Se não for possível resolver com a empresa, de forma amigável, anote o protocolo de atendimento, reúna todos os documentos que comprovem a compra e a sua insatisfação, como as tentativas de contato, fotos do produto se ele estiver danificado e comprovantes de compra.

Se ainda assim os problemas persistirem, o consumidor deve procurar seus direitos, por meio do Procon ou site da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e, se necessário, contratar um advogado para ingressar com uma ação judicial.

(Com informações da Agência Brasil) 

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Equipe InfoMoney

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