Mudanças na Petrobras (PETR4) e queda do petróleo: no que as “junior oils” estão de olho após um 3º tri positivo

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PRIO (PRIO3), PetroReconcavo (RECV3), 3R Petroleum (RRRP3) “surfaram” nos altos preços do petróleo no primeiro semestre. Já no terceiro trimestre, as  companhias mostraram resiliência mesmo com as cotações mais baixas na base trimestral,  com crescimento na produção, seja por melhoria na operação de seus campos ou por incorporação de novos ativos.

Em relatório, o Itaú BBA destacou que a PRIO apresentou resultados sólidos com o controle dos custos como um dos destaques. Os resultados da PetroReconcavo também superaram as expectativas da casa, com produção de gás definindo o ritmo no 3T22, também combinado com um menor custo de extração na base trimestral.

Porém, há questões que estão no radar das empresas para este final de ano e que devem perdurar para os próximos trimestres. Agora, as estimativas do mercado são de queda do valor do brent, com os riscos para a economia mundial em meio à alta de juros pelos principais bancos centrais, além do cenário de dificuldades para a atividade da China.

Já no plano doméstico, a notícia de que o governo de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva vai reavaliar os planos de venda de ativos da Petrobras (PETR3;PETR4) também é monitorado de perto pelas empresas juniores, que compraram diversos campos da companhia estatal nos últimos anos.

Roberto Monteiro, CEO da PRIO, comentou na apresentação dos resultados do 3T22 que a companhia buscava novas oportunidades de aquisição de campos de petróleo, mas já pensava em negociação com outras petrolíferas que não a Petrobras que tenham participação em campos de extração.

O executivo disse, na ocasião, logo após a eleição de Lula (PT), que a estatal estava em “momento de redefinição de estratégia” que não dizia respeito à PRIO. Ele complementou que a empresa “pensava em outras majors”, numa demonstração que não conta com venda de campos de petróleo hoje nas mãos da Petrobras.

“Se a Petrobras tiver interesse em desinvestimento, a gente vai olhar”, ponderou. A PRIO mantém hoje com a estatal processo de transição da operação de Albacora Leste, na Bacia de Campos, adquirida pela empresa privada em abril. A petroleira independente espera assumir totalmente a operação de Albacora Leste até o final do ano.

Na última sexta (18), a diretoria da Agência Nacional de Petróleo (ANP) havia aprovado a aquisição pela PRIO da participação de 90% da Petrobras no campo – os outros 10% pertencem a Repsol Sinopec Brasil.

Ativos pendentes

Em meio às mudanças previstas na Petrobras, Ricardo Savini, CEO da 3R Petroleum, chegou a ser questionado durante a última teleconferência de resultados da empresa se não via riscos de contratos ainda pendentes serem revistos. Dos nove ativos adquiridos pela petrolífera independente da Petrobras, três polos estavam pendentes de assinatura final de contrato: Pescada, Papa-Terra e Potiguar.

“A gente está muito tranquilo, principalmente na parte upstream (produção e exploração). Pessoalmente não vejo nenhum risco. A Petrobras não tem tradição de desonrar contratos”, afirmou à época Ricardo Savini, CEO da 3R Petroleum.

O Polo Papa-Terra, na Bacia do Espírito Santo, em meados de dezembro está previsto o closing. Sobre os outros dois polos – Pescada e o Potiguar, no Cluster Potiguar, no Nordeste -, o primeiro deve entrar em operação até o final do ano e o segundo no primeiro trimestre do ano que vem para iniciar imediatamente o trabalho de perfuração.

A PetroReconcavo, no início do mês, havia anunciado a revogação da liminar que paralisava as negociações dos acordos contratuais com a Petrobras em relação ao Polo Bahia Terra, na Bahia. Isso permite agora finalizar a compra junto à estatal depois de cinco meses de suspensão.

O Polo Bahia Terra é estratégico para a PetroRecôncavo – a área está sendo adquirida em consórcio com a Eneva (ENEV3). Após o desfecho na Justiça, a direção da Petrobras havia anunciado a continuidade do processo de venda.

Brent em baixa

Na vertente de preço de petróleo, o Goldman Sachs foi um dos bancos que reduziram nos últimos dias a previsão de cotações para o brent de US$ 110 para US$ 100 por barril neste quarto trimestre do ano.

A redução estaria relacionada à preocupação com a demanda na China devido a possíveis novas restrições de controle da pandemia, dentro do plano de Covid zero naquele país. Influenciou ainda a previsão para baixo a possível ação da União Europeia de cria um teto para o preço do barril de petróleo na Rússia.

Roberto Monteiro, CEO da PRIO, na tele de apresentação dos resultados do último trimestre, reconheceu que no 4T22 “estava vendo o mercado um pouco pior”. Segundo o executivo, o petróleo estaria voltando aos preços originais e não tão altos como antes.

Contudo, analistas seguem otimistas com o case de investimentos nas “junior oils”. Nesta semana, por exemplo, o BTG Pactual revisou os números da PRIO para incorporar: (i) a produção atual de petróleo; (ii) novas campanhas de perfuração da fase 2 do programa de revitalização de Frade; e (iii) menores custos de extração consolidados, avaliando que suas estimativas anteriores estavam muito conservadoras. Para o banco, a companhia permanece barata mesmo depois de subir 72% no acumulado do ano, reiterando assim recomendação de compra e elevando o preço-alvo de R$ 37 para R$ 58.

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augustodiniz

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