Mulheres repentistas do Sertão pernambucano estreiam em Festival de Literatura Internacional de Paraty, RJ

Nesta quarta-feira (23), um grupo formado por oito jovens repentistas, moradoras de áreas rurais, de cinco cidades do Sertão do Pajeú, em Pernambuco, embarcaram rumo à 20ª edição da tradicional Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontece no Rio de Janeiro.

Esta  é a primeira vez que o projeto “Mulheres de Repente”, composto pelas glosadoras e idealizadora do grupo, Luna Vitrolira (Tracunhaém); juntamente com as poetisas Elenilda Amaral (Afogados da Ingazeira); Francisca Araújo (Iguaracy); Milene Augusto  (Solidão); Thaynnara Queiróz (Afogados da Ingazeira) e  Dayane Rocha (Brejinho de Tabira); participam do evento. Também reforçam o time, as produtoras do projeto, da cidade do Recife, Taciana Enes e Vick Vitoria.

Durante os dias 25, 26 e 27, as jovens realizam apresentação da Mesa de Glosas –  uma das mais importantes modalidades poéticas da tradição do improviso que representa a riqueza e a diversidade do sistema literário popular nordestino, presente, principalmente, na identidade cultural das cidades da região do Sertão do Pajeú, no interior de Pernambuco.

A proposta da atividade é transmitir, para os participantes da FLIP,  uma vivência imersiva e prática da cultura literária pernambucana, como construção de poesias e versos a partir do olhar para fatos, experiências e vivências do dia a dia das mulheres. O espaço também tem como objetivo contribuir para o incentivo ao intercâmbio cultural entre artistas do Nordeste e do Sul do Brasil.

“Quando pensamos no universo da literatura popular e, mais especificamente o Repente, durante muito tempo, foi reproduzido o discurso de que não existiam mulheres improvisadoras, cantadoras e glosadoras. Porém, o que se sabe é que, nós, nordestinas, sempre lutamos por sair dessa invisibilidade. Isso foi um comportamento criado por homens machistas, que violavam o poder que nós, mulheres, sempre tivemos de ser poetas e glosadoras. Agora, chegou a hora de mostrar nossa liderança, força e arte, para além das questões de gênero. É preciso reconhecer o talento de todas nós, mulheres de raça, talento, coragem e donas de si, sobretudo de nossas palavras que ecoam o mundo. Queremos ser porta-voz do amor, do carinho, da solidariedade e, principalmente, da justiça social”, relata a idealizadora do grupo, multiartista e responsável por mediar a Mesa de Glosas, na Flip, Luna Vitrolira.

O projeto “Mulheres de Repente” iniciou em 2018. De lá para cá, já percorreu eventos espalhados por todo o Brasil, como a Balada Literária (São Paulo), realizada no Centro Cultura Grajaú (SP); Festipoa Literária (Rio Grande do Sul), Festival de Inverno de Garanhuns (Pernambuco); Museu de Arte moderna de Salvador (Bahia); Pré – Balada Literária em Teresina (Piauí); Festa Literária das Periferias (Rio de Janeiro), entre outros espaços e festivais locais e regionais.

Ainda dentro da agenda de trabalhos, com vistas para 2023, o projeto “Mulheres de Repente”, vai lançar um documentário. A obra, inédita, é pautada em um roteiro que chama atenção para o papel das mulheres dentro da cultura popular na construção de repentes e poesias.

A participação do projeto “Mulheres de Repente”, na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip),  conta com apoio do Serviço Social do Comércio ( Sesc), e incentivo do Governo de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura.

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Marcelo Patriota

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