Haddad diz que governo avalia termos para entrada na OCDE e adia presidência dos BRICS para 2025

O Brasil vai retomar avaliações sobre a possibilidade de integrar a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE), grupo que reúne alguns dos países mais desenvolvidos do mundo, afirmou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), em entrevista a jornalistas nesta quarta-feira (18), durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

Segundo Haddad, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda estudará os termos de eventual adesão e podem ser apresentadas condicionantes para avanços no processo. O ingresso ao grupo, solicitada ainda durante o governo Michel Temer (MDB), em 2017, era uma das prioridades no campo da política internacional da administração anterior, de Jair Bolsonaro (PL), e de seu ministro Paulo Guedes (Economia).

“Temos um grupo de trabalho que vai apresentar os termos de uma eventual participação, para que a Fazenda possa subsidiar o presidente na decisão que ele (Lula) tomar”, disse. “Não existe nenhum impedimento que o Brasil pleiteie uma adesão em conformidade com seus interesses, não há uma rigidez que é tudo ou nada. Há espaço para discussão”.

O ministro disse que o Brasil “já participa muito da OCDE” e mencionou os esforços de integração de sua gestão à frende da pasta da Educação nos dois mandatos anteriores de Lula, como através da participação do Pisa – exame que avalia o nível de ensino em diversos países.

Segundo Haddad, os próximos passos da aproximação deverão ser avaliados pelo presidente e pelo Itamaraty, pasta sob o comando do chanceler Mauro Vieira. O ministro teve um encontro bilateral mais cedo com o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann. E destacou que o governo brasileiro buscará uma reaproximação de seus parceiros e de blocos comerciais.

O movimento coincidirá com o fato de o país ocupar as presidências do G20 em 2024 e dos BRICS (grupo formado por Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul) a partir de 2025. Segundo o ministro, o exercício do comando do grupo emergente foi adiado a pedido do Brasil, para não coincidir com a outra missão.

No caso do Mercosul, Haddad disse que o bloco terá uma espécie de “reinauguração” com a visita de Lula à Argentina ainda neste mês. A fala foi uma crítica velada à baixa importância dada pelo governo de Bolsonaro ao bloco.

Balanço sobre o encontro

Em seu último dia no Fórum Econômico Mundial, Haddad disse estar “satisfeito” com a participação no evento. O ministro indicou surpresa, em sua chegada, com o grau de preocupação dos agentes políticos e econômicos internacionais com o Brasil, após os atos golpistas de 8 de janeiro, que culminaram na invasão à sede dos Três Poderes, em Brasília.

Haddad disse, no entanto, que acredita ter passado, ao lado da ministra do Meio Ambiente e da Mudança Climática, Marina Silva (Rede), uma mensagem positiva sobre o país. “Não há nenhuma razão para o mundo ter preocupação com o Brasil”, disse.

Um dos nomes mais próximos ao presidente Lula, Haddad não descartou a possibilidade de novos eventos que provoquem instabilidade política, mas minimizou os impactos potenciais. “Acredito que há possibilidade de surpresas, porque são células que se organizam muito rapidamente e com um princípio estabelecido pela narrativa do ex-presidente [Jair Bolsonaro], que despertou paixões irreconciliáveis com a democracia. Isso não é democracia”.

“O mundo todo está sob vigilância eterna, porque existe uma onda extremista no mundo. Isso vale para a Europa, os Estados Unidos, Ásia, América Latina. Existe um crescimento do extremismo no mundo, um extremismo de direita e isso precisa ser contido institucionalmente. É um outro tipo de enfrentamento, é um enfrentamento institucional”, disse.

“O que o Brasil demonstrou nesse ataque foi que as instituições se uniram – todos os governadores, todos os Poderes da República – em torno da mesma causa: preservar as liberdades democráticas no Brasil”, prosseguiu.

Durante sua estreia na comunidade internacional, Haddad teve uma agenda intensa de reuniões bilaterais e encontros com empresários, investidores internacionais, banqueiros e representantes de organismos multilaterais e de diferentes países.

(com Agência Estado)

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Marcos Mortari

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