Ibovespa fecha em alta de 0,71%, auxiliado por commodities e na contramão dos EUA; dólar sobe 1,12%, a R$ 5,16

O Ibovespa fechou em alta de 0,71% nesta quarta-feira (18), aos 112.228 pontos. O principal índice da Bolsa brasileira foi na contramão dos principais benchmarks americanos, auxiliado, mais uma vez, pelos papéis de companhias ligadas ao setor de commodities, mas fechou longe das máximas do dia, quando subiu 1,68%.

Em Nova York, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq caíram, respectivamente, 1,81%, 1,56% e 1,24%, após operarem em alta durante boa parte do pregão.

“Tivemos a publicação de dados fracos de vendas no varejo nos Estados Unidos pela manhã. Quando saiu esse número, as Bolsas lá fora melhoraram e o Ibovespa foi junto. Isso em função da perspectiva de que o Federal Reserve terá um ciclo de alta dos juros menor do que o esperado anteriormente”, comenta Luiz Adriano Martinez, gestor de renda variável da Kilima Asset.

As vendas varejistas nos Estados Unidos somaram US$ 677,1 bilhões em dezembro, o que representou uma queda de 1,1% em relação a novembro, de acordo com estimativas ajustadas sazonalmente e divulgadas pelo Departamento do Comércio.

A publicação ajudou treasuries yields para dez anos perderem 16,3 pontos-base, a 3,372%, e os para dois anos, 11,4 pontos, a 4,078%, com o mercado esperando que as autoridades monetárias americanas sejam mais brandas em suas decisões sobre as políticas monetárias.

“O dado, porém, também pesou sobre as ações. A queda das vendas aumenta o medo de que a desaceleração econômica impactará as companhias”, debate o gestor.

Felipe Moura, sócio e analista da Finacap Investimentos, destaca que, apesar do varejo, alguns diretores do Fed falaram hoje e trouxeram tom de cautela, com postura firme e sinalizando uma política econômica ainda restritiva.

“Isso afetou o câmbio e piorou muito o humor nos Estados Unidos, contaminando também um pouco aqui. O Ibovespa, no entanto, ainda segurou bem por conta das companhias de commodities, dada a correlação com China”, explica.

Apesar da alta do Ibovespa (longe das máximas do dia, contudo), o dólar fechou com ganhos de 1,12% frente ao real, negociado a R$ 5,162 na compra e a R$ 5,163 na venda.

Pesou sobre o real também algumas sinalizações políticas, principalmente na frente de reajuste de salário mínimo.

A curva de juros subiu em bloco, indo no mesmo sentido. Os DIs para 2025 ganharam sete pontos-base, a 12,58%, e os para 2027, ganharam oito pontos, a 12,45%. Os DIs para 2029 foram a 12,55%, com mais seis pontos, e os para 2031, a 12,61%, com mais sete pontos.

De qualquer forma, os ativos de risco brasileiros tiveram um dia positivo, principalmente, como já mencionado, os ligados a commodities. A notícia de que a China teve um produto interno bruto (PIB) maior do que o esperado no quarto trimestre de 2022, bem como o fim das restrições impostas no país pela Covid Zero e as sinalizações de estímulos, continuam impulsionando as exportadoras.,

Entre as maiores altas do dia, ficaram as ações ordinárias da CSN Mineração (CMIN3), com mais 4,85%, as da 3R Petroleum (RRRP3), com mais 3,97%, e as da CSN (CSNA3), com mais 3,16%. As da Vale (VALE3), por sua vez, ganharam 1,31%.

As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3;PETR4) não acompanharam a alta, também repercutindo a notícia de que o Governo Federal quer mudar a Lei das Estatais.

“Mercado está favorável para emergentes. Estrangeiros veem cada vez mais que a China voltará a crescer neste ano, o que deve impactar positivamente a demanda por commodities”, pontua Flávio Conde, analista da Levante Investimentos. “Com isso, temos o setor de  mineração e siderurgia como destaques do Ibovespa”.

Além disso, o setor financeiro, que vinha sofrendo por conta do caso Americanas (AMER3), também permeou entre as maiores altas. As unitárias do BTG Pactual (BPAC11) ganharam 2,21%, as ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3) 1,43%, e as preferenciais do Itaú (ITUB4), 1,80%.

Esses papéis se recuperaram parcialmente, com o gatilho de que o BTG conseguiu na Justiça bloquear R$ 1,2 bilhão sob da Americanas que estava sob custódia do banco.

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Vitor Azevedo

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