Tesouro Direto: juros apresentam alta em razão do discurso de Lula; prefixado 2029 bate os 12,87%

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Quinta-feira (19) com muita volatilidade no mercado. As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continuam a fazer preço. Ele voltou a questionar a atuação do Banco Central autônomo e o atual patamar da taxa básica de juros, fixada em 13,75% ao ano.

Em encontro com reitores de universidades federais no Palácio do Planalto, Lula defendeu a necessidade de investimentos público em diversas áreas e a importância do Estado no combate às desigualdades. O presidente também repetiu que os recursos destinados à Saúde, à Educação e políticas como a construção de casas populares e urbanização de favelas não podem ser considerados gastos. E criticou operadores do mercado financeiro, por “desconfiarem” do governo.

“A única coisa que não é dita como gasto por essa gente do mercado é o pagamento de juros da dívida. Eles acham que isso é investimento. Qual é a explicação de termos um juro de 13,5% hoje?”, questionou.

“A inflação está em 6,5%/7,5%, por que o juro está a 13,5%? Qual é a lógica? Qual é a lógica da desconfiança que o mercado tem de tudo que a gente fala de investimento? Eu não vejo essa gente falar uma vez em dívida social”, criticou. Lula voltou a defender uma reforma tributária com olhar para o Imposto de Renda, de modo a reduzir a carga sobre os mais pobres e cobrar mais de faixas abastadas.

Por meio do Twitter, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, tentou apaziguar os ânimos. Ele escreveu que o presidente Lula “deu plena autonomia ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles”, em seu mandato anterior. O presidente não vai mudar de postura agora, ainda mais com uma lei que estabelece regras nesse sentido”, acrescentou. “O governo sabe que a política monetária e o papel de análise da macroeconomia do Banco Central são de extrema importância. E, também por isso, a convivência respeitosa entre as instituições vai continuar sendo a ordem dessa gestão”, prosseguiu.

Os temores de recessão renovados após números de atividade menores do que o esperado nos Estados Unidos também repercutem no mercado. Investidores estão à espera de mais dados econômicos nos EUA e de falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed, banco central americano) para entender os próximos passos da autoridade monetária americana.

Por volta das 15h30, o Ibovespa recuava, operando na faixa dos 112 mil pontos; já o dólar comercial sobia 0,75%, cotado a R$ 5,201 na compra e a R$ 5,202 na venda.

Às 15h26, no Tesouro Direto, os títulos públicos operam com alta de até 18 pontos-base (0,18 ponto percentual) nas taxas. Na parte da manhã, a diferença chegou a 38 pontos-base (0,38 ponto percentual).

Os retornos reais oferecidos pelo Tesouro IPCA+ 2045 chegavam a 6,33% ao ano. Na primeira atualização do dia, o índice chegou ao recorde de 6,48% ao ano, o maior percentual já registrado pelo título desde que ele passou a ser negociado, em fevereiro de 2017. O valor máximo que ele tinha entregue até então era de 6,47% ao ano. Na véspera, o mesmo papel oferecia uma remuneração real de 6,27%.

Já no caso dos prefixados, a maior elevação de juros era registrada pelo papel com vencimento em 2029, que via a taxa passar de 12,71%, na sessão anterior, para 12,87% às 15h26. Na parte da manhã, o percentual chegou a 13,09%.

“Há estresse no mercado de juros por causa da das falas do presidente Lula de ontem e da continuidade hoje Isso acaba sendo muito ruim para as perspectivas, principalmente para a parte fiscal e afeta bastante a curva de juros”, detalha Bruno Komura, analista da Ouro Preto Investimentos.

Ele destacou também o forte pessimismo lá fora. “Com perspectiva de recessão, até um aumento do receio, os mercados ficam bem negativos e isso também acaba fazendo com que as taxas de juros subam. Por outro lado, a reabertura da China pode beneficiar bastante o Brasil, principalmente quando a gente fala dos produtos exportados para esse país”, conclui.

Confira os preços e as taxas dos títulos públicos disponíveis para a compra no Tesouro Direto na tarde desta quinta-feira (19):

Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Entrevista de Lula

Em entrevista à GloboNews, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a independência do Banco Central como uma “bobagem” e que a atual meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), atrapalha o crescimento da economia.

Durante a entrevista, o chefe do Executivo disse também duvidar que o atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, seja “mais independente” do que foi Henrique Meirelles, que comandou o banco nos primeiros governos Lula.

Lula também afirmou ontem (18) que promoverá uma reforma tributária sobre o Imposto de Renda, que diminua a participação dos mais pobres e aumente a dos mais ricos nas contribuições.

Em seu discurso, o presidente disse que irá brigar pela isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil – promessa feita durante a campanha eleitoral de 2022.

Lula também anunciou ontem a criação de um grupo de trabalho para discutir a construção de uma política permanente de valorização do salário mínimo.

Pelo texto, a equipe terá prazo de 45 dias, prorrogável por outros 45 dias, para formular a proposta. Participarão do processo os ministérios de Trabalho e Emprego; Fazenda; Planejamento e Orçamento; Previdência Social; Desenvolvimento, Indústria e Comércio; Secretaria-Geral da Presidência e Casa Civil.

Pnad

Já na cena econômica, a taxa de desemprego no Brasil caiu para 8,1% no trimestre móvel encerrado em novembro, uma queda de 0,9 ponto ante os três meses anteriores. Em outubro, a taxa estava em 8,3%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) e foram divulgados nesta quinta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O dado ficou dentro do esperado pelo mercado, que previa uma taxa de desocupação exatamente de 8,1%, segundo o consenso Refinitiv.

O número de desempregados caiu para 8,7 milhões, o menor contingente desde o trimestre terminado em junho de 2015. São 953 mil pessoas a menos em busca de emprego no país (-9,8%).

A taxa de desocupação vem caindo de forma significativa há seis trimestres móveis consecutivos. De acordo com a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, a retração no trimestre encerrado em novembro é explicada pelo aumento de 0,7% na ocupação no período, que novamente atingiu o maior nível da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012.

Esse percentual equivale a um acréscimo de 680 mil pessoas no mercado de trabalho.

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Bruna Furlani

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