Incertezas fiscais e política monetária nos EUA: o que esperar para a Bolsa brasileira em 2023, segundo a Truxt 

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A Bolsa brasileira está descontada. Mas, em meio às incertezas políticas e fiscais em um cenário macroeconômico mais barulhento, desde o ano passado observa-se a evasão de recursos dos investidores locais.

Neste ambiente, o que podemos esperar para 2023?

O tema foi destaque durante o último dia do Onde Investir 2023. Organizado pelo InfoMoney, o evento discutiu os principais temas que influenciarão suas finanças e investimentos ao longo do ano.

O painel do Stock Pickers trouxe Bruno Garcia, sócio-fundador da Truxt Investimentos. O papo começou com um panorama sobre os Estados Unidos; Garcia lembra que “o que tem acontecido com mercado americano, como maior polo de liquidez do mundo, vem sendo bastante representativo, não só para os EUA, mas para o mundo inteiro”.

Depois de um 2022 difícil para o país, com o Federal Reserve (banco central dos EUA) tendo que subir os juros significativamente para conseguir combater a inflação, o cenário parece ter começado a melhor por lá em meados de outubro do último ano, avalia.

Os últimos três CPIs (principal índice inflacionário do país) indicam, segundo o gestor, uma inflação próxima aos 2% ao longo do ano que vem (que é a meta do Fed). Com isso, a casa entende que o cenário deve ser mais positivo.

Mesmo assim, o executivo ainda vê a bolsa americana com preços elevados. Assim, na Truxt, ela está colocada como opção em  short (posição vendida, apostando na queda dos ativos).

Brasil 

Por aqui, Bruno Garcia diz que o grau de pessimismo no Brasil (pelo próprio brasileiro, devido à persistência do ruído político) está tão grande que qualquer melhora pode trazer um movimento muito forte de recursos para os ativos nacionais.

“Os juros no Brasil não estão caindo hoje por conta dos ruídos políticos. Portanto, na hora que as coisas se acertarem e os ruídos diminuírem, podemos até trabalhar com um cenário de queda de juros no Brasil e apreciação da moeda [real]”.

Atual governo  

Sobre o atual governo, Garcia acredita que “o palanque [eleitoral] não foi abandonado” ainda, o que atrapalha a agenda.

“A impressão que eu tenho é que o Lula está mais centralizador e ideológico. Eu acreditava que ele teria uma postura mais pragmática na condução da economia e para com o mercado”, afirma o gestor.

A grande preocupação em seu radar é uma possível falta de força política do atual Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para fazer o “mínimo”.

“Se o mercado externo não estivesse tão bom, se o dólar lá fora não estivesse depreciado 10% e o mundo tivesse piorado muito, possivelmente estaríamos agora com o dólar a R$ 6,00 e a postura do governo seria agora muito mais preocupada do que é”.

A parte boa, para ele, é que o mercado começa a enxergar as falas mais contundentes do atual presidente mais como um “ruído”, do que como necessariamente prenúncio de uma ação.

China 

Voltando para outras geografias, um dos mais importantes players, a China, não passou batido pelo painel. “A China é uma lição de humildade para todo gestor”. O executivo relembra que a bolsa da região estava negociando a 8 vezes a relação preço sobre o lucro  em outubro, e está entre 11 e 12 agora.

A melhora nos investimentos por lá também influenciam no nosso cenário local. Afinal, o dinheiro que sai dos mercados americanos e procura os emergentes acaba “respingando” no Brasil.

No entanto, Bruno concorda que a China deve ser tratada como um “trade” e não uma opção de longo prazo, dadas as incertezas e desproteção históricas que envolvem o investimento nos mercados do gigante asiático.

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Lara Rizério

Lara Rizério

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