Com piora fiscal, interesse em investir fora do Brasil cresce em janeiro, segundo pesquisa da XP

A deterioração das perspectivas fiscais fez com que o interesse em investir fora aumentasse entre os brasileiros em janeiro. A liderança em termos de preferência ficou para os títulos de dívida emitidos no exterior (bonds) com 49%, seguidos pelo dólar (48%), investimento em ações internacionais e aplicações em ETFs (fundos de índice), ambos com 33%, e alocações em fundos internacionais com 32%.

Nesse caso, apenas 12% dos investidores afirmaram que não possuem interesse em investir no exterior – percentual que recuou bastante desde que bateu o pico de 34% em junho de 2022. Os dados são de uma pesquisa feita entre os dias 3 e 11 de janeiro com assessores da XP ou de escritórios filiados à corretora, que apontaram as preferências dos clientes. Ao todo, o levantamento contou com 418 respostas.

Na hora de escolher o investimento, o interesse em alocar em temáticas que envolvem tecnologia, estratégias quantitativas e em práticas com foco ambiental, social e de governança (ESG) cresceu na passagem de dezembro para janeiro.

Apesar disso, a tese de maior interesse dos investidores seguiu em commodities – correspondendo a 69% das respostas. O temas é um dos que mais devem ser favorecidos com a reabertura mais rápida do que o esperado da China, na avaliação de analistas.

Maiores riscos

Já quando o assunto é risco, a deterioração fiscal foi citada como o maior temor de quem aloca em Bolsa neste ano (70%). A recessão global, por sua vez, foi colocada como o segundo maior risco para o mercado acionário brasileiro neste ano (10%), seguido pela alta de juros nos Estados Unidos (6%) e no Brasil (5%) e outros temas.

Embora acreditem que a chance é grande de uma recessão nos mercados desenvolvidos, especialistas da XP afirmaram que a reabertura chinesa pode funcionar como um “amortecedor” para a profundidade e a duração dessa desaceleração ao longo deste ano.

Em relatório divulgado nesta semana, Fernando Ferreira, Jennie Li e Rebecca Nossig, da XP, afirmaram que o Brasil pode ser um grande beneficiário da reabertura chinesa, assim como do fluxo para emergentes e para fora dos Estados Unidos.

Ainda que a Bolsa possa se beneficiar desse movimento favorável ao País, a leitura dos investidores é que o momento exige cautela. Segundo o estudo, 74% dos investidores estão com uma alocação mais baixa em renda variável – de até 25% do portfólio – neste início de ano.

A pesquisa mostrou também que 17% dos clientes estão com alocações em renda variável entre 25% e 50% da carteira e 7% estão com posições entre 50% e 75%. Apenas 3% possuem mais de 75% do portfólio aplicado em ativos de maior risco, segundo o estudo.

Ao serem questionados se desejam aumentar a alocação, apenas 16% dos clientes informaram que pretendem elevar o percentual investido em renda variável, o que representa um aumento de dois pontos percentuais em relação ao registrado na pesquisa anterior, feita em dezembro de 2022.

Ainda que estejam mais cautelosos, o estudo apontou que os investidores aumentaram o interesse em alocar em fundos de renda fixa (71%, uma alta de 6 pontos percentuais), fundos imobiliários (47%, avanço de 4 pontos percentuais) e fundos de renda variável (11%, alta de 4 pontos percentuais), na passagem de dezembro para janeiro.

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Bruna Furlani

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