Efeito Americanas, falas de Lula e recomendações: o que fez as ações de bancos caírem até 4% na sessão desta segunda-feira

As ações de bancos foram grandes responsáveis pela queda do Ibovespa na sessão desta segunda-feira (23). As units do Santander Brasil ([ativo=SANB11) caíram 4,08%, o Bradesco ([ativo=BBDC4]) teve baixa de 4,23%, Itaú (ITUB4) teve queda de 3,07% e até o Banco do Brasil (BBAS3), que ficou boa parte do dia em alta, fechou em queda de 0,75%. O BTG Pactual (BPAC11) teve perdas de 1,88%, a R$ 20,90.

Alguns fatores levaram à queda das ações. Os papéis da maior parte das companhias do setor já abriram a segunda em baixa, com os investidores seguindo a repercussão do efeito da recuperação judicial na Americanas (AMER3) e o seu possível impacto nos bancos, em um cenário já complicado para as instituições com alta de inadimplência nos últimos trimestres. O BB, que tem menos exposição à varejista, sentiu um menor impacto nos ativos.

Em relatório, analistas do Credit Suisse destacaram piora na relação risco versus retorno do setor bancário brasileiro, avaliando que os bancos devem enfrentar maiores provisões de exposição de crédito direto à Americanas e relacionados à sua cadeia de fornecedores, encerrando a “fase de lua de mel” no segmento corporativo.

Marcelo Telles e Daniel Vaz afirmaram, no entanto, que não enxergam “o escândalo contábil” envolvendo a Americanas como um risco sistêmico, assim como destacam a boa saúde geral do setor corporativo – mesmo excluindo empresas relacionadas a commodities.

Eles, porém, apontam que questionamento sobre a independência do Banco Central acrescentou incerteza, assim como o cenário de Selic mais alta por mais tempo em razão de maior incerteza fiscal também deve adiar a recuperação da margem financeira de Santander Brasil e Bradesco.

Para os analistas, 2023 será um ano com “divergência anormal” no desempenho operacional e rentabilidade entre os quatro grandes bancos com atuação no Brasil.

Banco do Brasil e Itaú Unibanco, estimam, devem ter retornos sobre o patrimônio (ROE) em torno de 19%-20%, beneficiados por o ambiente de taxas de juros mais altas, desempenho superior de qualidade de ativos.

Bradesco e Santander Brasil, por sua vez, avaliam, devem ter ROEs na faixa dos 10%, com ROE recorrente no quarto trimestre de 2022 estimado em 10%, impactado pelo pior desempenho da qualidade dos ativos no varejo e corporativo, e desempenho negativo da margem de mercado (NII).

Ao mesmo tempo, a equipe do Credit Suisse cortou a recomendação de Santander Brasil de “neutra” para “underperform” (desempenho abaixo da média do mercado, equivalente à venda), com preço-alvo sendo reduzido de R$ 35 para R$ 31, citando uma perspectiva operacional mais desafiadora e “valuation” pouco atrativo. Para o Bradesco, previram resultados fracos nos quatro meses finais do ano passado, enquanto reiteraram recomendação “underperform” para as ações, reduzindo preço-alvo de R$ 19 para R$ 16.

Ainda em destaque, as falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após encontro com o presidente da Argentina, Alberto Fernández, também levaram à queda dos papéis.  Lula disse que pretende, dentro das possibilidades do país, fazer o BNDES retomar sua posição do passado.

Já com relação ao Banco do Brasil, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia dito mais cedo que o novo plano de financiamento das exportações do Brasil para a Argentina teria o banco estatal como agente que emitirá as cartas de crédito, o que abalou as ações do setor no intraday.

Posteriormente, ele afirmou que o BB não assumirá nenhum risco ao conceder crédito a importadores argentinos que comprarem produtos brasileiros. Em entrevista à imprensa em Buenos Aires, na Argentina, Haddad afirmou que haverá garantias para esses financiamentos, e nenhum banco dos dois países estará exposto a risco.

(com Reuters)

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Equipe InfoMoney

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