Tesouro Direto: depois de recorde, juro de papel de inflação para 2045 recua para 6,49%; mercado repercute IPCA-15

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O mercado monitora nesta terça-feira (24) o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15), que subiu 0,55% em janeiro, um pouco acima do esperado pelo mercado, o que coloca uma pressão de alta para a inflação oficial do mês, dizem os analistas.

Embora os núcleos – que buscam desconsiderar distúrbios de choques temporários – tenham continuado a apresentar tendência de queda em termos anualizados (de 9,11% em dezembro para 8,71% em janeiro), especialistas ouvidos pelo InfoMoney apontam que os preços dos combustíveis devem influenciar a inflação em 2023, especialmente no primeiro semestre.

Nesse sentido, algumas casas já elevaram suas projeções devido ao reajuste anunciado hoje pela Petrobras para a gasolina. Tatiana Nogueira, economista da XP, afirma que a alta nos preços da gasolina, além da possível reoneração em março dos combustíveis com o fim da isenção de impostos federais deixaram a estimativa para o IPCA para este ano com um viés altista. Nesse sentido, a projeção de IPCA de 5,4% da corretora deve ser reestimada, com uma alta de 0,30 a 0,40 ponto percentual.

Apesar dos riscos altistas para os próximos meses, a avaliação é que a prévia oficial da inflação mesmo não trouxe grandes surpresas negativas e por isso, não levou a uma nova abertura mais expressiva da curva de juros futuros na sessão de hoje, como vinha ocorrendo nos últimos dias. “Mesmo com o IPCA+15 vindo acima do esperado, o mercado hoje segue relativamente calmo, acompanhando principalmente a variação do dólar, que está caindo. De certa maneira, os investidores não ficaram tão surpresos com o índice de inflação”, afirma Ricardo Jorge, especialista em renda fixa e sócio da Quantzed.

Investidores também continuam na repercussão de notícias envolvendo a retomada de atividades do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em projetos no exterior e do uso do Banco do Brasil para operações de crédito a exportadores.

Por volta das 16h20, o dólar comercial renovava mínima, a R$ R$ 5,15. Já o Ibovespa subia acima dos 112 mil pontos.

No Tesouro Direto, às 15h28, os juros oferecidos pela maioria dos títulos públicos operam em alta de até 9 pontos-base (0,09 ponto percentual, movimento oposto ao visto na curva de juros futura. Entre os papéis prefixados, as taxas mais elevadas eram oferecidas pelo Tesouro Prefixado 2029, no valor de 13,18%. Um dia antes, o título oferecia um retorno de 13,27%.

Entre os títulos atrelados à inflação, a remuneração real oferecida pelo Tesouro IPCA+ 2045 era destaque: 6,49% ao ano. O percentual representa um recuo em relação ao recorde batido no início da manhã, quando as taxas reais entregues pelo papel chegaram a 6,51%. Na véspera, o papel entregava um juro real de 6,44% ao ano.

Confira os preços e as taxas dos títulos públicos disponíveis para a compra no Tesouro Direto na tarde desta terça-feira (24):

Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

IPCA-15 e alta da gasolina

Na cena econômica, investidores monitoram os números do IPCA-15, que subiu 0,55% em janeiro, informou nesta terça-feira (24) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado ficou acima da estimativa dos analistas do mercado financeiro: o consenso Refinitiv apontava para inflação de 0,52%

Nos últimos 12 meses, a variação do IPCA-15 foi de 5,87%, abaixo dos 5,90% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em janeiro de 2022, o índice ficou em 0,58%.

Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE tiveram alta em janeiro. O grupo Comunicação se destacou pela maior variação (2,36%), enquanto os demais ficaram entre o 0,17% de Transportes e de Habitação, e o 0,57% de Despesas pessoais.

Segundo o IBGE, os maiores impactos para a inflação vieram de Saúde e cuidados pessoais (1,10%) e Alimentação e bebidas (0,55%).

Ao olhar para os dados, Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, chama atenção para a alta registrada pela inflação de serviços nos últimos 12 meses, que passou de 7,61% para 7,69%, nos cálculos da casa. Para ele, o percentual ainda está em patamar elevado, o que exige que o Banco Central acompanhe o número de perto.

Outro detalhe merece atenção da autoridade monetária, diz Sung, é que houve uma piora no índice de difusão, que mostra o percentual de itens que aumentaram de preços no mês. O indicador voltou a crescer em janeiro e fechou em 67,0% ante aos 65,7% de dezembro, segundo números da casa.

Na ponta contrária, um dado que oferece mais conforto, afirma o economista, é que os núcleos de inflação caíram de 9,11% em dezembro para 8,71% em janeiro no acumulado dos últimos 12 meses, apesar de o indicador ter subido na variação mensal.

“De forma geral, apesar de alguns sinais de alerta, acreditamos que a inflação veio dentro do esperado”, pondera o economista. Mesmo assim, ele não descarta pressões futuras que possam afetar o indicador nos próximos meses.

Segundo ele, do lado altista, a pressão deve vir com a volta dos impostos federais sobre combustíveis, possível piora do cenário fiscal, aumento do prêmio de risco e elevação das expectativas. Já pelo lado baixista, o economista observa que a inflação pode ser afetada positivamente pelas perspectivas de reorganização das cadeias globais e boas safras.

Também na cena econômica, destaque para a notícia de que a Petrobras (PETR3;PETR4) anunciou que, a partir da próxima quarta-feira (25), o preço médio de venda de gasolina A da Petrobras para as distribuidoras passará de R$ 3,08 para R$ 3,31 por litro, um aumento de R$ 0,23 por litro, ou de 7,5%.

Considerando a mistura obrigatória de 73% de gasolina A e 27% de etanol anidro para a composição da gasolina comercializada nos postos, a parcela da Petrobras no preço ao consumidor será, em média, R$ 2,42 a cada litro vendido na bomba.

De acordo com a companhia, “esse aumento acompanha a evolução dos preços de referência e é coerente com a prática de preços da Petrobras, que busca o equilíbrio dos seus preços com o mercado, mas sem o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações e da taxa de câmbio”. O preço do petróleo brent, referência para a Petrobras, ultrapassa os US$ 88 nesta terça no mercado internacional.

Haddad e encontros de Lula

Na cena política, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e o ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa, propuseram, em memorando conjunto assinado ontem (23), a simplificação e modernização de acordos de pagamento em moedas locais.

A assinatura do documento dá início a estudos técnicos de representantes dos governos dos dois países na busca pela construção de uma unidade comum de troca para transações comerciais e financeiras. A nova moeda comum não substituirá as divisas locais – casos do real no Brasil e do peso na Argentina.

Uma preocupação entre agentes econômicos é que o acordo amplie possível “contágio” da crise econômica argentina para a brasileira e que riscos associados à operação afetem sobretudo as empresas do setor financeiro envolvidas – no caso brasileiro, o Banco do Brasil.

“O Banco do Brasil não vai tomar risco nenhum desta operação de crédito de exportação”, assegurou o ministro brasileiro. “Nós vamos ter um fundo garantidor, que é um fundo soberano, que vai garantir as cartas de crédito emitidas pelo Banco do Brasil para os exportadores brasileiros”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontra nesta terça-feira (24) com diversas autoridades e chefes de Estado. Entre eles, Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, e Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba.

Lula também participará da Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), um dos principais blocos de debates políticos da região, formado por 33 países.

Amanhã (25), o presidente deve seguir viagem para o Uruguai, onde encontrará o presidente Luis Alberto Lacalle Pou.

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Bruna Furlani

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